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Doenças

A doença tem várias consequências dolorosas:

a dor física, tanto aquela derivada da doença em si, quanto do tratamento;

a imobilidade, toda enfermidade nos incapacita. Desde uma simples gastrite que nos impede de comer frituras, até a moléstia grave que nos aprisiona ao leito;

a proximidade da morte, tanto mais difícil, quando a espera é longa e quando os tratamentos são apenas sintomáticos;

o cansaço. A doença cansa o doente, cansa os familiares, e com o correr do tempo esse cansaço vai ficando cada vez mais doloroso.

A dor, a imobilidade, a proximidade da morte, e o cansaço. Segundo um ponto de vista terreno quatro instrumentos de tortura, segundo um ponto de vista espiritual quatro processos de purificação.

A dor física desmaterializa o espírito.

A proximidade da morte aproxima a vida do espírito

A imobilidade do corpo favorece a mobilidade do espírito

O cansaço das atribulações materiais, nos dá novas energias para o trato das realidades espirituais.

Na enfermidade ficam claras: a função purificadora da dor e as relações estreitas entre espírito e corpo. O corpo é um filtro que coa o espírito. O corpo fica sujo, deformado, enfermo, e o espírito fica limpo.

Em outros termos, passando a palavra a S. Vicente de Paulo:

As doenças purificam a alma; são um poderoso meio para atrair a virtude àqueles que a desprezavam, abrem aos enfermos um vasto campo para praticar a fé a esperança, a submissão a vontade de Deus e todas as outras virtudes
Não devemos nunca desejar a enfermidade e trabalhar sempre pela saúde, mas se ela chega, devemos entendê-la como um ferramenta divina de progresso espiritual, pois toda enfermidade nos empurra, um pouco mais para fora do corpo e para dentro do espírito.

Deus por vezes nos retira alguma possibilidade física, com o objetivo de que tenhamos novas possibilidades de desenvolvimento moral.

No treinamento do atleta, são impostas diversas limitações, o corredor levará pesos nas costas, o nadador fará exercícios, utilizando apenas os braços, ou as pernas..., naturalmente esses exercícios serão limitados ao treinamento. Na hora da competição com plena liberdade, o atleta fará uma brilhante figura.

Assim é a deficiência de locomoção, de visão, de audição, durante o período em que essas limitações se impuserem: serão aperfeiçoadas as qualidades morais e intelectuais, para que a vida tenha maior brilho quando esses impedimentos forem retirados.

Quem convive com deficientes se surpreende com a memória auditiva do cego (conheci programadores de computador cegos, que memorizavam textos de definição de programa com 60 páginas, ouvindo-os uma única vez) ou com a acuidade visual do surdo, lendo lábios, ... Se víssemos também, como as deficiências dilatam as possibilidades da alma, muito mais surpresos ficaríamos.

Esses impedimentos são dados frequentemente como exercícios corretores na sequência das encarnações, para proteção do próprio espírito: Oradores e profissionais de comunicação que nos desmandamos na calúnia e na divulgação de ideias nocivas no seio da multidão, solicitamos impedimentos na fala e na audição que nos re-eduquem no uso da palavra; aqueles que usamos sistematicamente nossa inteligência para ferir, pedimos os empeços cerebrais que nos dificultem novos crimes e nos direcionem na valorização das possibilidades intelectuais; suicidas que desprezamos a oportunidade do corpo físico, retornamos estropiados para aprender a valorizar membros e órgãos perfeitos...

Nossos principais adversários são o orgulho e o egoísmo. A deficiência combate duramente o orgulho, ao destruir nossos pruridos de superioridade face aos nossos irmãos. De outro lado imperfeições manifestas nos auxiliam a sair de nós mesmos, substituindo egoísmo por altruísmo.

Para sermos mais objetivos, vamos conversar um pouco, no decorrer deste capítulo, a respeito de 3 enfermidades graves: Aids, Câncer e Lepra e duas deficiências: visual e paraplegia. As ideias expostas face a essas enfermidades servem para consolo de outras doenças.

Moral da História

  • A desarmonia do corpo serve para harmonizar a alma.

  • A deficiência do corpo tem por objetivo aumentar a eficiência da alma.

AIDS

Ao Jaime amigo pelo coração, companheiro pelo pensamento, irmão pelo espírito.

Que o Deus Bom,

nesta hora me abençoe,

que humilde como uma ovelhinha,

possa discorrer,

como esses riachos,

que correm nas florestas,

ainda virgens de malícia e hipocrisia.


Ah, tudo isso peço

ao Deus Bom,

pois vou falar

aos meus irmãos aidéticos.


Que o meu coração

seja inundado

pelas palavras eternas

do Cristo eterno

"Estive doente

e fostes me ver"

Não há que não ver

a gravidade da AIDS.


Não há que não ver

as dores várias do aidético.


Não há que não ver:

Em torno da doença central,

o isolamento,

o preconceito,

as dificuldades financeiras,

a sensação do irremediável,

as doenças oportunistas,

e sobretudo o estigma,

a marca.


Não há que não ver:

a gravidade da AIDS,

há que ouvir

a afirmação de Jesus:

"Fostes me ver"


Aidético,

Olha-te com olhos cristãos,

Olha-te nos olhos de Jesus.


Tu, Mãe,

sabe que esta hora

é a tua hora,

firma-te em Maria,

e olha teu filho

com o olhar com que Maria

via Jesus,

na cruz.

Tu, pai,

companheiro,

companheira,

irmão, amigo,

vizinho, filho,

tu, a quem o Senhor

chama de próximo,

sê humano,

e aproxima-te

com olhos bons.


E tendo nos

olhos Jesus:


A morte

será libertação.


As doenças oportunistas,

a limpeza mais completa

do corpo espiritual

que deverá desabrochar na morte,

como uma flor bela,

que as borboletas do além,

almas libertas,

virão beijar.


O preconceito,

a condenação,

o estimulo da humildade,

virtude maior.


O isolamento,

solidão abençoada,

onde a alma exilada,

pode com liberdade,

refletir em paz,

curtindo a intimidade,

do Deus Bom,

de Jesus, rei da luz,

de anjos, santos, heróis e mártires.

O estigma, a marca,

é passaporte,

onde a sabedoria da cruz

retificará 

a loucura dos homens,

tão logo seja feita

a importante viagem.


Tudo isso assim será 

se tu aidético

olhares teu problema,

com os olhos nus,

despidos de revolta,

cheios de esperança,

fé e confiança,

no teu pai que é Deus.


Tudo isso assim será 

se olhares tua prova,

posta por Deus

em teu caminho,

não como pedra de tropeço,

mas como pedra de escada,

pedra preciosa

de enriquecimento

e elevação.


Tudo isso assim será

se olhares teus vírus

como coisa natural,

tão natural como nascer,

tão natural como florir,

tão natural como envelhecer,

tão natural como frutificar,

tão natural como morrer.

Morrer bem,

morrer praticando o bem,

para renascer bem

na vida imortal.

Moral da História.

  • Aids é uma doença física.

  • Se teus olhos forem bons, todo o teu corpo será bom.

PS. E o julgamento? e a sentença? condenado ou absolvido?

- Não julgues para não seres julgado.

Câncer

Nesta hora lembro-me de muitos mortos queridos: meu pai, minha mãe, minha madrinha, Florise, Mercedes, William, ...

Através do câncer fizeram a grande viagem.

Não possuo nenhuma formação em medicina, que me autorize a ficar dando palpites em técnicas médicas. Mas, o longo convívio com o câncer, me obriga a fazer algumas sugestões aos cancerosos e seus familiares.

Carlos teve a esposa, Mercedes, cancerosa. Participei do processo como parente e amigo. Carlos muitas vezes usou a seguinte expressão:

- Não devemos acrescentar novos problemas a um problema já grave.

Essa afirmativa ficou gravada em minha memória, e é chave para minorar problemas que frequentemente acompanham moléstias graves.

Lembrando esse amigos, eu repito o que aprendi: No caso de doenças graves, uma primeira regra para bem sofrer é não acrescentar, por atitudes insensatas, atabalhoadas, sofrimentos desnecessários, a sofrimentos inevitáveis.

Assim sendo, devemos ser prudentes nas nossas previsões, cautelosos nas nossas afirmativas, acompanhando atentos o desenvolvimento dos fatos, em prece, para tomarmos as melhores decisões.

Há toda uma expectativa envolvendo o diagnóstico. Com grande ansiedade a família e o enfermo aguardam o resultado da biópsia. O tumor será benigno ou maligno?

Há muitos preconceitos ainda com relação ao câncer. Acho que o principal deles é considerar o câncer incurável. Há muitas variedades de câncer, com níveis de malignidade diferentes. Certa feita conversando com a infatigável Carmem Prudente, ela me dizia existir mais de 400 espécies de câncer.

Acrescentar uma grande carga de ansiedade à expectativa de doenças graves é multiplicar problemas. Também não devemos esquecer que na maioria dos casos o diagnóstico será negativo, e então teremos desperdiçado energias e nos envolvido em sombras tolamente.

Nessa hora, cultivar a serenidade, preparar-se para aceitar a vontade de Deus. Posição de equilíbrio. É uma doença grave, mas curável. Se muito ainda se ignora sobre o câncer, já se aprendeu muito.

Em suma: nem desespero, nem esperanças tolas. Esperar em Deus o resultado.

O câncer é uma doença cara, frequentemente de longo curso. Uma avaliação cuidadosa das possibilidades financeiras, para dar ao paciente o melhor, é importante. Se a alternativa melhor é deixar ao estado, ou às instituições securitárias os custos da enfermidade, ou ainda arcar a própria família com esses custos, são caminhos que devem ser pensados cuidadosamente.

Acrescentar problemas financeiros a uma doença grave, por imprevidência, é multiplicar problemas.

Dar o melhor atendimento dentro das possibilidades orçamentárias é dividir problemas.

Avaliar a conduta médica, consultando se possível mais de um oncologista, sem melindrar sutilezas da ética médica, para ter o médico mais honesto e competente, atendendo o enfermo, é sofrer bem, sofrendo menos

Dois casos:

Waldomiro sofreu 27 intervenções cirúrgicas, feitas pelo Dr. José, professor titular de urologia de uma famosa universidade. As intervenções, na sua maioria, eram desnecessárias. Não foram razões médicas que levaram Prof. José a fazer essas intervenções cirúrgicas, e sim a necessidade de conseguir fundos para o vício inveterado de jogador em corridas de cavalos.

Dr. Raul, conceituado gastroenterologista, ao diagnosticar um câncer de ovário que comprimia o intestino de Magda, uma simples secretária, falta de recursos, teve a delicadeza de pedir a Magda:

- Estabeleça você o preço da cirurgia que eu e meus assistentes faremos, levando em conta apenas sua possibilidade de pagamento.

Magda estabeleceu um preço irrisório, dentro de suas possibilidades Nem por isso, Dr. Raúl deixou de dar-lhe o melhor atendimento. Passados dois anos, Magda receberia alta, estando curada da enfermidade.

Enfatizo aqui esta questão de honorários médicos porque, segundo os benfeitores espirituais, a maior inimiga do bom atendimento médico é a lamentável e exagerada ganância da grande maioria das pessoas físicas e jurídicas ligadas à saúde.

O amor à saúde, sobrepujando o apego ao dinheiro, um car ter compassivo, saúde da alma, são características imprescindíveis a um bom médico. Tendo elevação de alma o médico será assistido por benfeitores espirituais, independentemente da sua particular crença religiosa, porque no fundo da sua alma ele prática a eterna e universal religião do amor.

De passagem: rótulos religiosos não endossam nenhuma atividade profissional; gestos superficiais de agrado por parte do profissional ou empresa de assistência médica, aprendidas em manuais de "sucesso em vendas de serviços" ou formuladas por agências de propaganda, e que nada tem a ver com qualquer boa intenção, também devem ser identificadas e descartadas.

Juntar um mau médico a uma doença grave é multiplicar problemas, foi o que Waldomiro fez, ao não usar do máximo critério na escolha e manutenção de seu médico.

Ter o apoio de um bom médico numa doença grave, é dividir problemas, ficando com a menor parte. Foi o que Magda fez.

Em casos de doenças graves, ficam ressaltadas divergências familiares. Tendo em maior conta tolices como: amor próprio, vaidade, posições opiniáticas, a família divide-se, forma partidos e, declarando guerra interna, cria um clima sombrio de conflitos.

É a hora dos que, efetivamente amam o doente, mais do que ao orgulho ferido, lutarem por estabelecer a concórdia, a calma e a harmonia, criando um clima familiar adequado.

Juntar brigas de família a uma doença grave é multiplicar problemas.

Ter a família unida e harmoniosa em torno dos interesses do enfermo é dividir problemas.

Contar a verdade? Sim ou não?

Se o paciente é lúcido, e tem algum equilíbrio nervoso, ele deve conhecer os seus problemas, para que possa decidir da melhor forma sobre a sua própria vida.

Se o paciente está em franco desequilíbrio nervoso, de nada adiantará aumentá-lo. O conhecimento busca a melhoria da qualidade das decisões, e nesse caso o impacto da notícia iria tão somente piorar ainda mais as condições do paciente decidir sobre a sua vida.

Autores espirituais afirmam que a alma se nutre de amor, principalmente do amor de Deus. Esse mecanismo automático é bloqueado por estados depressivos. Na depressão a alma deixa de absorver essas correntes de amor divino. Isso provoca uma baixa nas energias da alma favorecendo novos estados depressivos, num círculo vicioso crescente. Essa baixa de energia também atinge a estrutura espiritual das células perturbando sua reprodução e favorecendo o surgimento do câncer.

Uma terapia preventiva seria aumentar as correntes fluídicas de amor que envolvem o paciente. Isso poderia ser feito através de tarefas de beneficência exercidas pelo próprio paciente. A resposta natural a essa atividade benemérita seriam sentimentos de amorosa gratidão dos beneficiados, que alimentariam o paciente de amor, aliviando seus estados depressivos e consequentemente a moléstia.

Aqueles que estão próximos, a meu ver, devem colaborar, cercando o paciente de todo o carinho.

Isso é muito significativo, também do ângulo humano, já que o sentir-se desamado é uma característica da personalidade do canceroso.

O câncer, frequentemente envolve cirurgias de risco. Toda cirurgia é traumática, não só a cirurgia em si, mas também o pós-operatório.

O médico explicita o risco seguindo frequentemente a seguinte linha de raciocínio:

Pode a cirurgia ser bem sucedida, há risco de óbito na operação, há risco de óbito no pós operatório, há risco de fracasso na cirurgia: o paciente passar por uma série de sofrimentos e continuar canceroso.

Em cada caso o médico ponderará, as chances de sobre-vida, as chances de um boa qualidade de vida na sobre-vida, e as chances desfavoráveis de óbito e insucesso.

Por vezes, o médico transfere a decisão à família ou ao paciente.

Se o paciente tem um mínimo de lucidez, a decisão deverá ser dele, pois são sua vida, as suas dores, a sua sobre-vida que estão em jogo.

Que a decisão seja tomada em clima de prece, pois probabilidades não são certezas, e a nossa visão acanhada frequentemente erra.

E como são dolorosos esses tipos de erro. Abrem a comporta a toda uma avalanche de sentimentos de culpa, que judiam da alma por anos a fio.

Ora pois ao teu Deus, a Jesus, a Maria, nossa Mãe espiritual, eleva-te, e no silêncio da tua consciência, em paz, em prece, tomar s a decisão melhor que puderes, atendendo às vozes do plano superior, que te falarão através da acústica velada da intuição.

A quimioterapia, a radioterapia têm feito muitos avanços.

Inobstante, esses tratamentos trazem uma série de desconfortos para o paciente.

Em tudo podemos encontrar exemplos em Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus nunca esteve enfermo. Mas, no episódio da paixão, seria vítima de muitos males.

Tendo vários ferimentos, estava Jesus crucificado, quando lhe foi oferecida, por um soldado, uma esponja embebida em vinho misturado com fel, com a intenção de atormentá-lo ainda mais, Jesus provou e não quis beber. Logo depois, quando um outro soldado ofereceu-lhe vinagre, que segundo a crença de então, minorava a sede dos condenados, Jesus bebeu.

Nessa passagem, Jesus nos ensinou que não devemos aceitar sofrimentos evitáveis, nem tomar aquilo que a maldade, por maldade, nos oferece. Mas que devemos aceitar de bom grado os medicamentos que servirão de alivio aos nossos sofrimentos, e que nos são estendidos por um gesto de solidariedade e compaixão, mesmo que sejam desagradáveis.

Meditar sobre os sofrimentos de Jesus é sempre sublime consolação. Jesus não necessitava sofrer, mas para nos ensinar como devemos sofrer, sofreu também.

Refletir nos Seus sentimentos puros, na perfeita aceitação da vontade de Deus, no perdão irrestrito aos seus algozes, tudo isso troca os nossos padrões mentais, nos enche de energias novas, de novo juízo de valores. Como diria S. Francisco de Sales:

É fora de dúvida que nada nos pode dar uma tão profunda tranquilidade neste mundo, como o contemplar muitas vezes a Nosso Senhor, em todas as aflições que teve, desde o seu nascimento até a morte, porque aí veremos tantos desprezos, calunia, pobreza, indigência, abjeções, penas e tormentos que, comparados com isso reconheceremos não termos razão em chamar aflições, pesares e contradições a estes pequenos acidentes que nos acontecem e em desejar paciência por coisas tão pequenas, pois que uma só gota de modéstia basta para suportar o que nos sucede.

A proximidade da morte torna-se clara, quando passamos por uma doença grave.

Cumpre notar que a morte sempre está próxima. A morte poderá estar numa avenida que vamos atravessar, num atropelamento fatal; no banheiro que nos é familiar e que utilizamos todos os dias e que poderá trazer a queda que nos leve à grande viagem; em algum tresloucado assassino, que nos mate, para furtar algum trocado, ou nosso automóvel...

Embora essas hipóteses da morte estejam próximas, estão as vezes distantes do nosso entendimento. Refletir sobre a morte é valorizar a experiência do espírito. O conceito de que somos espíritos encarnados, à medida que valoriza alguns aspectos da vida, desvaloriza outros. Essa troca de valores consome muito trabalho interior. A preguiça de trabalhar interiormente nos leva a fugir de tudo aquilo que nos ressalta a vida do espírito.

Para aquele que acha que a morte é o fim de tudo, e deposita seu prazer na gula, na torpe ganância, no aproveitar-se devida e indevidamente de tudo que o cerca, como um predador, a morte é terrível. Tenho ouvido esse espíritos comparecerem aos modestos centros espíritas, despidos do corpo, quando a situação lamentável torna ridículo todo orgulho. Orgulhosos da inteligência comparecem dementados, avarentos e vaidosos comparecem mendigos e com má  aparência. Com paciência e carinho são atendidos, e com a graça de Deus acabam por compreender o que sempre tentaram esquecer: a eternidade da alma e a consequência moral.

Ter consciência de que a morte virá um dia, e de que esse dia está próximo não desmerece a vida, aumenta o amor à vida. Santos e benfeitores espirituais nos aconselham a viver cada dia como se fosse o último. Não significando desequilíbrios e disparates que nos comprometeriam seriamente a vida no plano espiritual, mas justamente como quem está de partida para o seu pais natal, de onde emigrou, há anos, e se prepara para essa viagem, selecionando sua bagagem. Põe na bagagem um tanto mais de amor, um tanto mais de benefícios efetivos ao próximo, alguns laços de amizade, .... Pois o viajante sabe que no seu país natal a única moeda que conta é o amor real. Aparta ódios, problemas mal resolvidos, débitos pendentes, pois sabe que essas dividas serão cobradas para onde vai, e não quer sombras empanando a felicidade que o aguarda.

Assim se a morte está próxima, como efetivamente ela sempre está, aproveita a vida que te resta, mesmo enfermo, para viver da melhor forma, praticando o amor.

Na hora da doença grave, quando o médico fornece um prognóstico pessimista, a família frequentemente sai em busca de qualquer recurso.

As práticas religiosas que admitem a mediunidade são então procuradas. O que Deus vedou à medicina convencional, não seria permitido aos espíritos através desse ou daquele médium?

Antônio possuía uma grave enfermidade nos rins, que o obrigou a extraí-los, passando a sobreviver graças as frequentes diálises.

Procurou vários médiuns, alguns inclusive de moralidade duvidosa, que encheram seu corpo de sinais, sua mente de fenômenos e seu coração de desencanto.

Para um espírito, através de um médium, produzir uma cicatriz, um corte sem dor, um cheiro de éter, e vários outros fenômenos, é bem mais fácil, que restaurar uma função complexa como a filtragem renal. Havia fenômenos, havia certeza de mediunidade e da presença de espíritos, mas não havia a cura.

Entre os familiares de Antonio não havia ninguém em condições de doar-lhe um rim. A fila nos hospitais era imensa.

Se os caminhos lícitos pareciam fechados, em desespero de causa, Antônio decidiu-se pelo ilícito: compraria um rim.

Fez um grande esforço, vendeu tudo o que tinha, pegou doações e dinheiro emprestado e finalmente conseguiu que alguém lhe cedesse um rim a pagamento. Era para poder trabalhar, reaver o que tinha gasto com a doença, e deixar a família em situação boa, justificava-se.

O transplante foi feito com sucesso. Dois meses depois surgiria uma série de caroços na sua perna. Feita a biópsia, o resultado foi que os tumores eram malignos, e haviam proliferado por metástase por todo o corpo. O médico deu alguns medicamentos que aliviassem os sintomas do câncer, e explicou que nada mais havia a fazer.

Parece-me que para Antônio havia soado a hora final aqui na Terra, e a compra de um órgão sadio, como forma de ludibriar as leis divinas, foi inútil.

Nós somos dos que advogam a união da medicina convencional à medicina espiritual, em qualquer processo mórbido. O médium com Jesus sempre poderá auxiliar muito aos enfermos. Mas nunca devemos esquecer que:

  • A misericórdia divina não depende desse ou daquele recurso.

  • A vontade de Deus está acima da vontade de qualquer um.

  • A doença pode ser uma necessidade para o progresso espiritual do doente, assim sendo, a espiritualidade agirá com coerência não favorecendo a cura.

Moral da História:

  • Na doença grave procure unir: o melhor da medicina material ao melhor da assistência espiritual. Se o corpo não for curado, a alma o será.

  • Na doença grave é fundamental a qualidade das decisões.

Lepra

Por varias vezes visitei leprosários. Nessas visitas fiquei amigo de alguns leprosos, entre eles do Encio Gaitinha, que menciono em outros capítulos, nesse livrinho.

Uma notícia triste para os brasileiros, pelo menos nesse ano em que escrevo este "Bem Sofrer e Consolar": o número de leprosos no Brasil está aumentando muito.

Outro dia ouvi na "Voz do Brasil", no segmento destinado a Câmara Federal, deputados do Amazonas comentarem que nos arredores de Manaus estão surgindo novamente grupos de leprosos, que vagam sem destino e sem descanso. É uma pena que esse pesadelo, que havia desaparecido na década de 50, volte na década de 90.

Também sei de casos de leprosos em famílias próximas e que são tratados com grande sigilo.

Felizmente, os tratamentos a base de sulfona, minimizam muito os efeitos da doença e suas possibilidades de contágio. Já o preconceito e a falta de caridade são mais demorados para serem erradicados.

Por várias vezes, no novo testamento vemos Jesus, aproximando-se de leprosos, como por exemplo em Lucas, capitulo 17:

E aconteceu que indo a Jesus a Jerusalém, passava pela divisa entre a Samaria e a Galileia.
Ao entrar em certa aldeia, saíram-lhe ao encontro 10 leprosos, que pararam ao longe, elevaram suas vozes, dizendo;
- Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!
Jesus, logo que os viu, disse-lhes:
- Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. (Naquele tempo eram os sacerdotes que declaravam uma pessoa leprosa ou não. Além da dos sofrimentos derivados da doença os leprosos eram impedidos de relacionarem-se com pessoas sãs, não podendo comprar, vender, conviver nem mesmo falar com outros que não fossem leprosos. Havia necessidade de que os sacerdotes os examinassem e os declarassem sãos para que essas restrições fossem retiradas)
Enquanto iam, ficaram limpos.
Um deles, que era samaritano, vendo que fora curado, voltou glorificando a Deus em alta voz e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, dando-lhe graças. Perguntou, pois, Jesus:
- Não foram limpos os 10? E os nove, onde estão? Não se achou quem voltasse para dar glória a Deus, senão esse estrangeiro?
E disse-lhe:
- Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.

Devemos ser sempre gratos a Deus, fazendo como aquele samaritano grato e não como os nove ingratos, que se não diretamente, mas através da ciência médica, alivia nossas dores.

A lepra, ao que parece, está muito ligada ao mau uso da boa aparência. Aqueles que utilizaram a beleza física, para levar sofrimentos afetivos, para destruir lares, para conquistar o poder e utilizá-lo mal, vêm numa próxima encarnação com essa enfermidade, para limparem o seu espírito, através do corpo físico.

Todos aqueles que suportarem resignadamente essa enfermidade ouvirão ao entrar na vida espiritual, estas doces palavras de Jesus: "Levanta-te e vai, Sê limpo. A tua fé te salvou".

O leproso deve se sentir como aquele que está enfaixado por ter feito uma operação plástica que o deixará integralmente lindo, bonito por dentro e por fora.

Explicitemos: Numa encarnação anterior o leproso de hoje foi belo do ponto de vista físico, mas do ponto de vista espiritual foi feio, pois a vaidade, o orgulho, a perversidade interior, esvaziavam aquela beleza exterior. Consciente, antes da encarnação atual, procurou a beleza interior a qualquer preço e optou pelo pesado pagamento da lepra. Agora a lepra lhe trás a beleza interior e a feiura exterior. No plano espiritual, liberto do corpo físico e da vaidade, será belo por dentro e por fora.

E para confirmar isto, vamos ouvir o depoimento dado após a morte por Jésus Gonçalves, que em vida foi leproso:

Anjo da Redenção

Do Céu desceste resplendente e puro

E no santo mistério em que te apagas

Vestiste-me o burel de sânie e chagas

E algemaste-me a lenho estranho e duro.


Nume solar pairando no monturo,

Terno, escondendo as flores com que afagas,

Ouviste-me, em silêncio, o choro e as pragas,

Doce e invisível no caminho escuro!


Mas da cruz de feridas que me deste,

Libertaste meu ser a Luz Celeste,

Onde, sublime e fúlgido, flamejas!


E agora brado, enfim, de alma robusta:

- Deus te abençoe, ó Dor piedosa e justa,

Anjo da Redenção! bendito sejas!...


Moral da História

  • As feridas do corpo transformam-se em adereços da alma para o doente resignado.

  • Deus quer que sejamos belos por dentro e por fora.

Deficiência visual

São João Batista Vianey, cura da pequena aldeia de Ars, no sul da França, na primeira metade do século 19, foi um homem de inestimável valor.

Embora o  árduo trabalho na sua paróquia, chegando frequentemente a 18 horas diárias, mantinha sempre o coração aquecido pelo amor a Deus e aos homens, distribuindo orientação e consolo a quantos o procuravam.

Deixado o corpo físico, esse grande herói cristão prosseguiu no seu trabalho. Entre os dons espirituais que enfeitavam sua bela alma estava o dom de curar através da imposição das mãos.

Desencarnado, foi invocado para devolver a vista a uma jovem cega em Paris.

Transcrevemos aqui na integra sua mensagem, por crermos que ela poderá ser útil a todos os deficientes visuais.

Meus bons amigos, por que me haveis chamado? É para me fazer impor as mãos sobre a pobre sofredora que está aqui, e a cure? Ah! que sofrimento, bom Deus! Ela perdeu a vista a as trevas se fizeram para ela. Pobre criança! que ore e espere; não sei fazer milagres, sem a vontade do Bom Deus. Todas as curas que pude obter, e que foram assinaladas, não as atribuais senão aquele que é nosso Pai em tudo.
Em vossas aflições, portanto, olhai sempre o céu, e dizei do fundo do vosso coração: "Meu Pai, curai-me, mas fazei com que a minha alma doente seja curada antes das enfermidades do meu corpo; que minha carne seja castigada, se preciso for para que a minha alma se eleve até vós com a brancura que tinha quando a criastes. "Depois dessa prece, meus bons amigos, que o Bom Deus ouvirá sempre, a força e a coragem vos serão dadas e, talvez, também essa cura que não tereis pedido senão timidamente como recompensa da vossa abnegação.
Mas, uma vez que eu estou aqui, numa assembleia‚ia onde se trata, antes de tudo, de estudos, eu vos direi que aqueles que estão privados da vista deveriam se considerar como os bem aventurados da expiação. Lembrai-vos que o Cristo disse que seria preciso arrancar vosso olho, se ele fosse mau, e que valeria mais que ele fosse lançado ao fogo do que ser causa de vossa perdição. Ah! quantos há sobre essa vossa Terra, que maldirão um dia nas trevas terem visto a luz! Oh! sim, são felizes estes que, na expiação, são atingidos na vista! seu olho não será motivo de escândalo e de queda; podem viver inteiramente a vida das almas; podem ver mais que vós que vedes claro... Quando Deus me permite ir abrir as pálpebras de alguns desses pobres sofredores e devolver-lhes a luz, digo a mim mesmo; Alma querida, por que não conheces todas as delícias do Espírito que vive de contemplação e de amor? tu não pedirias para ver imagens menos puras e menos suaves que aquelas que te é dado entrever em tua cegueira.
Oh! sim, bem-aventurado o cego que quer viver com Deus; mais feliz que vós, que estais aqui, ele sente a felicidade, toca-a, vê as almas e pode se lançar com eles nas esferas espirituais que os próprios predestinados da vossa Terra não veem. O olho aberto está sempre pronto para fazer a alma falir; o olho fechado, ao contrário, está sempre pronto a fazê-la alçar para Deus. Crede-me bem, meus bons e caros amigos, a cegueira dos olhos, é frequentemente, a verdadeira luz do coração, enquanto que a vista é, frequentemente, o anjo tenebroso que conduz a morte.
E, agora, algumas palavras para ti, minha pobre sofredora: espera e tem coragem! se te dissesse: Minha filha os teus olhos vão se abrir, como serias ditosa! e quem sabem se essa alegria não te perderia? Tem confiança no Bom Deus que fez a felicidade e permite a tristeza! Farei por ti tudo o que me for permitido; mas, a seu turno, ora e, sobretudo, medita em tudo o que acabo de dizer.
Antes que me afaste, vós todos que estais aqui, recebei minha bênção.

Moral da História:

  • Pior cego é aquele que não que ver.

  • A luz do céu é muito mais bela que a luz da terra.

Paraplegia

Domitilia foi uma das pessoas mais doces que conheci nessa encarnação.

Mulata, magrinha, nascera nos primeiros anos do século 20. Tivera educação esmerada num colégio evangélico, o que acentuara sua meiguice.

Jovem ainda, manifestou-se o reumatismo, que a impossibilitaria de andar. Artesã da agulha, fazia tricô e crochê com perfeição.

Recebendo uma pequena herança, construirá um quartinho nos fundos da casa da irmã, que não a compreendia nem a aceitava. Anos a fio suportaria as agressões da irmã.

Seu quartinho era um primor de limpeza e bom gosto. Seu sorriso e suas palavras, sempre suaves e doces.

As dores, as humilhações, foram tornando mais e mais delicado aquele coração de mulher.

Anos a fio, no mês de maio, participava de seu culto semanal do evangelho no lar.

Num desses cultos, Domitilia estava deitada, pois ao longo dos anos a enfermidade foi progredindo e levando-a a imobilidade quase total. No meio de nossas preces, sentiu-se mal. Saí a procura de um médico. Quando voltei, Domitilia havia partido para a vida maior.

Tive algumas vezes a alegria de vê-la espiritualmente, mandou-me até uma cartinha pelas vias da psicografia. Está tão bem na outra vida. Perto dela, sentimo-nos como se fôssemos envolvidos numa renda feita de fios finíssimos de seda perfumada.

Aquele corpo foi como um vaso de barro, que fosse decantando um perfume e que quando a essência estivesse suficientemente depurada, seria aberto deixando que ela evolasse.

O seu sorriso doce era a energia que alimentava a purificação do seu espírito encarcerado num corpo paralítico.

Creio que neste item, não fui muito objetivo, mas se você teve seu corpo parcialmente imobilizado, dirija seu pensamento a essa dama, Domitília Ferreira, que sem palavras ela o auxiliará com suas vibrações e energia a suportar com um sorriso a paralisia.

Muitas vezes, Jesus foi procurado por paralíticos. Depois de curá-los, Jesus dizia: "levanta-te e anda".

Mesmo que tua deficiência prossiga, obedece ao mandamento de Jesus, tens uma alma, que esta alma se levante e caminhe.

Moral da História

  • O egoísmo é a pior das deficiências.

  • O pensamento é mil vezes mais veloz que a mais veloz das pernas.

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