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Problemas Mentais

A faculdade de pensar é a mais importante do ser humano. Lembramos o filósofo: "Penso, logo existo". De fato, é inconcebível o espírito sem o pensamento.

Por isso, regra geral, as enfermidades mentais trazem mais sofrimento que as físicas

Diz o aforismo: "de médico e louco, todos têm um pouco". Somos todos em alguma medida enfermos do pensamento, doentes mentais. O que não deve causar estranheza, pois se examinados a fundo, perceberemos que não é perfeita nossa visão, nossa audição, nosso sistema digestivo ou cardiovascular.

Essa imperfeição é decorrente da natureza humana. Todavia, no ambiente social em que vivemos, é exigido um patamar mínimo de desempenho mental que nos permita exercer de forma satisfatória nossas atividades.

Creio que podemos traçar um comparativo entre capacidade financeira e capacidade mental.

Em termos de capacidade financeira, há os mais disparatados desníveis entre as pessoas, quase todos se queixam, achamos que devíamos ter mais dinheiro. Embora essa nebulosidade introduzida pela insatisfação humana, há incapacidades financeiras tão gritantes que não permitem mais a alimentação, a saúde, o teto; neste estado falamos em miséria material.

Da mesma forma há os maiores desníveis entre capacidade mental. Todos, no fundo, gostaríamos de ser mais inteligentes, criativos, perspicazes, queixas advindas da nossa insatisfação, e que não devem ser levadas muito a sério. Mas, por vezes a incapacidade mental desce a níveis tão acentuados, que não nos permitem mais atividades tão básicas quanto: perceber a própria identidade; reconhecer ligações familiares fundamentais, tais o elo pais e filhos; exercer as mais simples atividades profissionais. Permito-me chamar esta situação de miséria mental.

Como toda deficiência, a deficiência mental, congênita, ou adquirida na encarnação, decorrente de faltas praticadas em encarnações anteriores, ou de vícios mentais desta mesma encarnação, é um processo, e, como todo processo, tem começo, meio e fim.

Assim sendo, se você ou seus entes queridos tem problemas mentais graves, esperança ainda e sempre, somos eternos, o tempo é o nosso aliado e a justiça de Deus, complementada pela sua misericórdia, haverá por fim de enxugar toda lágrima.

Moral da História

  • A doença mental purifica a mente.

  • Sendo mais dolorosa a doença mental do que a física, o doente mental merece um carinho maior.

Causas

Refletir sobre as causas das doenças mentais, do ponto de vista espiritual, tem duas vantagens principais:

  1. Sabendo algo sobre as causas dos desequilíbrios mentais, teremos uma condição melhor de evitá-los para o futuro.

  2. A nossa razão, conhecendo um pouco dos mecanismos de re-educação mental, estabelecidos por Deus, através da lei de causa e efeito, auxiliará o nosso coração a ser resignado face aos débitos que trazemos do passado.

Por que a taxa de doenças mentais está crescendo?

O homem avança a galope na ciência, em novas conquistas. Já  no sentimento, caminha a passo. Esse desequilíbrio que vai surgindo entre o cérebro e o coração é a causa principal do aumento das doenças mentais.

A máquina, produto do progresso, de outro lado vai exonerando nossas mãos do trabalho duro, mais e mais tempo vai sobrando para a atividade mental, através da qual convivemos mais intimamente conosco mesmos. Neste convívio íntimo com nós mesmos temos grande dificuldade em suportarmo-nos.

Nossa inteligência cria, vê, trabalha, em residências, com cujo conforto, jamais sonhou um imperador da antiguidade. Mas as possibilidades de afeto que temos para a construção do lar são muito acanhadas.

A tecnologia oferece toda sorte de comunicações. Em segundos nos comunicamos de um lado a outro do planeta. Uma simples ficha telefônica vence distâncias consideráveis, num  instante. Mas a tolerância e a afabilidade de que dispomos, para sustentar relacionamentos, é muito pequena.

Essa falta de condição emocional, que dê suporte adequado às novas possibilidades do progresso tecnológico, vai criando "tomadas de obsessão", ou seja, desarmonias mentais muito grandes.

A nossa já limitada capacidade de amar sofre o decréscimo de qualidade advindo do amor possessivo. O amor possessivo gera em nós processos lamentáveis de ciúme e desesperação, que vão nos empurrando em direção ao crime e a loucura.

Dado esse quadro, o que fazer?

Você está aqui na Terra para ser agente de transformação, e não para aceitar passivamente, situações.

Se o coração ficou para trás, vamos correr com ele e pô-lo novamente à frente do progresso científico, pois pior que um coração sem ciência, é uma ciência sem coração.

Busca e consequentemente encontra o seu caminho de libertação espiritual.

Sabendo que somos espíritos imortais, valoriza o respeito que devemos uns aos outros, não se esquecendo de que somos individualidades, onde cada um tem o seu caminho, que vem percorrendo, através dos séculos.

Lembra que todos têm uma tarefa assinalada por Deus e devemos pedir continuamente a Deus não permitir sermos proprietários dos nossos irmãos, da mesma forma que não queremos ser propriedade de ninguém.

Neste caminho, as perturbações mentais se reduzirão. Descobriremos que cada homem, cada mulher, cada criança, é um mundo imenso, neste mundo maravilhoso em que vivemos.

E trabalha, e transforma, e aperfeiçoa tua vida individual, e age também na sociedade. O trem do progresso tecnológico é grande e veloz, mas com Deus e com amor ao próximo, nós o poremos de volta nos trilhos.

Como os maus sentimentos levam a enfermidades mentais?

Os reflexos dos sentimentos menos dignos que alimentamos voltam-se sobre nós mesmos, depois de convertidos em ondas mentais, tumultuando o serviço das c‚lulas nervosas que, instaladas na pele, nas vísceras, na medula e no tronco cerebral, desempenham as mais elevadas funções técnicas; acentue-se, ainda, que esses reflexos menos felizes, em se derramando sobre o córtex encefálico, produzem alucinações que podem variar da fobia oculta a loucura manifesta, pelas quais os reflexos daqueles companheiros encarnados ou desencarnados, que se conjugam ao modo de proceder e de ser, nos atingem com sugestões destruidoras, diretas ou indiretas, conduzindo-nos a deploráveis fenômenos de alienação mental, na obsessão comum, ainda mesmo quando no jogo das aparências possamos aparecer como pessoas aparentemente sadias (Emmanuel/F.C.Xavier).

E o que fazer para superar esse quadro?

Trabalhar no nosso coração. Utilizar toda oportunidade que Deus nos dá de elevação de sentimentos.
· agressão responder com o perdão.
· dor, com compaixão.
· humilhação, com humildade.
· descrença, com a fé .
· grosseria e ao abandono, com a sublimação.
Enfim, responder ao bem com o bem, e ao mal também responder com o bem. Isto exigirá um grande esforço? Sim, claro. Mas, lembre-se, Deus é por nós.

A toxicomania, especialmente o álcool, é causa de inúmeras doenças mentais, entre elas a loucura e a idiotia.

Combater o vício em toda oportunidade, auxiliando o viciado a libertar-se, é uma forma de erradicar doenças mentais.

Quais as causas da esquizofrenia?

A esquizofrenia na essência, decorre de transformações de car ter negativo no quimismo da vida cerebral.
Esse problema, no entanto, procede da Vida Espiritual, antes do processo re-encarnatório, de vez que o problema da culpa, instalado em nós, por nós mesmos, na experiência terrestre, se transfere conosco, pela desencarnação, no rumo do Mais Além.
Muitas vezes, atravessamos condições de vida purgatorial, no Outro Mundo, mas somos devolvidos à Terra mesmo, aos núcleos habitacionais em que nossas culpas foram adquiridas, e, frequentemente, carreamos conosco as telas da esquizofrenia.
Quando o processo de esquizofrenização se patenteia violento, eis que perturbações consequentes se manifestam na criatura em período de desenvolvimento infantil, mas na maioria dos casos a esquizofrenia aparece depois da puberdade ou logo após a maioridade física.
Os Instrutores Espirituais são unânimes em afirmar que esse desequilíbrio decorre dos nossos próprios débitos, nas áreas das forças espirituais de que dispomos no campo da própria consciência. (Emmanuel - F. C. Xavier)

E o que fazer?

Não acalentar sentimentos de culpa, nem em nós, nem em nossos irmãos, incentivando sempre a reparação, a reconstrução a retratação, quando agimos mal.
Ainda e sempre orar, para suavizar as provas do próximo, acatando com apreço e serenidade as determinações da justiça divina.

Moral da História.

  • Equilíbrio Afetivo = Saúde Mental

  • Todos podem fazer muito pela saúde mental

Conduta

Devemos internar em sanatórios, nossos entes queridos?

Naturalmente que, quando temos conosco no recinto doméstico alguém portando desequilíbrio mental, devemos a esse alguém o máximo de carinho na obra de assistência mais íntima.
Tanto quanto possível, é importante conservar os companheiros portadores de doença mental, no clima da família, evitando quanto possível a ausência deles, de vez que na base do tratamento das doenças mentais prevalece o amor - o amor que sempre estabelece prodígios na vida de cada um de nós. (Emmanuel - F.C.Xavier)

Isto significaria um desapreço pelos tratamentos que a psiquiatria oferece?

Amigos nossos da Vida Maior, exprimindo-se comumente sobre o assunto, asseveram que a Psiquiatria, tanto quanto a Psicologia e a Análise são caminhos da Ciência proporcionados a nós outros na Humanidade para a liberação dos desequilíbrios mentais que se nos apresentem.
Afirmam que o progresso da Psiquiatria, seja na criação de ansiolíticos ou neurolépticos para alívio ou cura das enfermidades da mente é muito grande e compete-nos prestigiar, no máximo, os domínios da Psiquiatria nesse sentido, embora reconheçam amigos nossos da Espiritualidade, dentre os quais destacamos o nosso benfeitor Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, que a rotulagem das doenças mentais deveria sofrer uma revisão da parte dos senhores médicos e cientistas, neste capítulo da Patologia, porque quase todos os doentes da alma estão lúcidos.(Emmanuel - F.C.Xavier)

Sempre será conveniente que nossos irmãos, enfermos mentais tenham um conhecimento preciso de seus estado?

Os irmãos, em desequilíbrio mental, comprovado, demonstram por vezes um teor muito grande de sensibilidade e o tácito conhecimento do diagnóstico, relativamente à moléstia de que são vítimas, pode suscitar fixações no próprio enfermo, inibindo o êxito do processo terapêutico.(Emmanuel - F.C.Xavier)

Devemos entender os criminosos como doentes mentais?

Nesse sentido, e considerando a importância do tratamento psiquiátrico, o Dr. Bezerra de Menezes acredita que a Ciência no futuro, com o amparo da Administração Pública, dispensará aos nossos irmãos, que se encontram na segregação carcerária, determinados medicamentos que possam frenar neles os impulsos de agressividade exagerada, amenizando os problemas de contenção e condução dos re-educandos, porventura detidos em nossas penitenciárias, que se expressam por beneméritos hospitais do espírito.
No assunto, não será justo esquecer, no Estado de Goiás, o notável governador Dom João Manoel de Menezes que estabeleceu a construção de presídios, nas margens do Araguaia - na confluência do Rio Araguaí com o Rio Vermelho e com o rio Tocantins - transferindo para essas regiões centenas de irmãos delinquentes e prisioneiros, compreendendo que o trabalho e a socialização evidenciam profundo coeficiente de poder renovador para os companheiros em Humanidade que ainda caminham entre as sombras da mente, porque a criminalidade não passa de amarga resultante de trevas do espírito.(Emmanuel - F.C.Xavier)

Por diversas vezes nessa encarnação fui a sanatórios visitar amigos, doentes mentais, necessitados de tratamento.

Alguns eram alcoólatras em processo de recuperação, outros, crianças com problemas congênitos, vários que não suportaram as provas da vida e acabaram enfermando mentalmente, alguns já desencarnaram...

Lembro-me de um, José Carlos. Meteu-se em experiências psíquicas, sem nenhum apoio em Jesus, aprisionaram-no as algemas da obsessão. Andei alguns quilômetros a pé, para vê-lo. Levei a ele meu abraço e minha prece, ficou contente em ver-me...

Lembro-me de Maria, que tinha crises periódicas, que muitas vezes a levavam perto do suicídio, felizmente não se matou, mas foi internada várias vezes. Frequentemente participava do culto do evangelho em seu lar. Depois que iniciou essa prática as internações ficaram mais espaçadas...

Marta, de família muito rica, estudando na França, repentinamente o pai falindo, ela voltando as pressas. Depois morando numa casa muito modesta da periferia de São Paulo, com um escultor de metais, sem muito talento, mas com muitas mulheres fora de casa. E Marta não suportando a decadência financeira, moral, afetiva, e enlouquecendo. Uma moça de inteligência tão fina. Quando convalescia, sugeri a ela que traduzisse uma pequena coleção de cinco sermões do Padre Lacordaire, cristão e orador sacro francês do século XIX. Ela gostou do trabalho e me disse que muitas ideias de Lacordaire despertaram seu interesse.

No meu tempo de escola, ia estudar com um colega, Manoel, que tinha um irmão, Alfredo, de 20 anos, mas com mentalidade de 5. Ficamos muito amigos eu e Alfredo, e por vezes brincávamos horas, com seus brinquedinhos. Alfredo era uma criança encantadora, embora seu tamanho de mais de 1,70m. Os familiares o adoravam, e efetivamente, era muito difícil não gostar dele.

Essas minhas reminiscências, talvez semelhantes as suas, enchem meu coração de amor e saudade dos doentes mentais que conheci e que as encruzilhadas da vida levaram a outros caminhos.

As ideias são como imenso mar, o pensador se atira neste mar, solitário, na frágil jangada do seu cérebro carnal. O mar das ideias tem seu dias bonitos, mas também tem suas tempestades.

Se estamos todos na praia, cantemos canções e repartamos nosso peixe. Se estamos na praia e nosso irmão fez-se ao mar, na pesca imprescindível dos novos conceitos, oremos por ele, para que volte são e salvo, que sua frágil barquinha aguente o peso das ondas.

Se demora a voltar, sejamos solidários, deixemos o medo na praia, enfunemos as rotas velas, e vamos socorrê-lo, que no mar dos pensamentos há também pensadores cruéis, doutrinas mórbidas, ideias avassaladoras..., e um companheiro leal é como as luzes de um porto, surgindo na escuridão.

Se naufraga o nosso irmão, entristeçamo-nos, que é triste naufragar, mas consolemo-nos: o lugar do pensador é no mar das ideias, pelo menos naufragou no seu lugar de trabalho, e Deus levará isso em conta.

Moral da História

  • O doente mental requer presença amorosa e não ausência cômoda.

  • Todo crime está ligado a enfermidades da alma.

Depressão

Uma estranha sombra envolve a mente, a alma verga sua cabeça, dirige seu olhar para o chão, esquece o céu.

A esperança se vai apagando, o futuro passa a prometer apenas dores e amarguras. O presente vai tendo suas possibilidades reduzidas, se estreitando, se transformando num pico de montanha escarpado e  árido, donde a alma não consegue descer.

O sentimento da presença de Deus se esvai. Os laços de amor que a unem a outras almas, tornam-se pesados como correntes, e um mar de desamor vai subindo, tormentoso, angustiante.

A alma tenta fugir dessa nuvem angustiosa, mas a nuvem parece persegui-la. E a alma imobiliza-se e fecha-se na sua dor inexplicável.

Todo esse quadro tenebroso, que envolve a alma, parece imenso, mas na realidade é uma pequena nuvem, que nasce dela mesma, e que lhe obscurece a razão, a visão e o coração.

Essa nuvem, que a muitos de nós atormenta, recebe o nome de depressão.



Mas o que vem a ser a depressão?

A depressão é uma disfunção, nos mecanismos de absorção de energias da alma.

Estamos envoltos num verdadeiro mar de energias. Entre essas energias a mais importante é a do amor de Deus, que penetra e percorre toda a criação. Ao amor de Deus, seguem-se o amor dos grandes espíritos: Jesus dizia: "Eu sou a videira e vós os ramos" e também "ninguém vai ao Pai senão por mim"; com isso Jesus queria dizer que Ele é que alimenta a nós todos com sua seiva. O que significa essa seiva? Significa o amor que Ele tem por todo homem que veio a esse mundo. Além dessas correntes de amor mais importantes, há também o amor daqueles que nos querem bem, dos que nos são gratos por algum bem que fizemos, dos que nos são simpáticos.

A alma, mesmo naquele que se diz ateu, por mecanismos inconscientes absorve toda essa carga amorosa, onde o amor de Deus é a mais importante, e tem nessas energias o seu equilíbrio, a sua alegria de viver e a sua esperança.

Mas por alguma causa desconhecida, a alma passa a ser incapaz de absorver plenamente essas correntes de amor. É como a planta que perdesse o contato com a  água e começasse a murchar.

Há situações tão graves dessa desnutrição espiritual, que a alma mesmo que quisesse não conseguiria de pronto absorver todo o amor de que necessita. Faz lembrar essas crianças que conheci em favelas, que, habituadas por longo tempo à desnutrição, suavam e ficavam febris ao simples esforço de tomar um prato de sopa nutritiva e quentinha.

É isso a depressão: incapacidade da alma de sentir-se amada em níveis profundos.

A depressão é sempre acompanhada de processos mais fortes ou mais leves de obsessão, necessitando portanto da terapia desobsessiva.

É uma enfermidade que tem graves repercussões no corpo físico: atinge todo o nosso aparelho de defesa, enfraquecendo-o, permitindo que se instalem enfermidades diversas como a tuberculose, a lepra e outras. De outro lado, a depressão compromete o mecanismo sutil que regula a reprodução celular, propiciando o surgimento do câncer, com suas metástases.

A medicina convencional é necessária para auxiliar o tratamento anti-depressivo, mas, sozinha, conseguirá apenas camuflar o problema.

Os tratamentos, conquanto úteis, não obterão resultado, enquanto o paciente não se dispuser à precisa renovação moral, expressa em humildade e paciência, espírito de serviço e dedicação ao bem, que lhe permita absorver novamente as correntes do Amor Divino, e de tantos outros amores que Deus semeou no nosso caminho.

Nesta encarnação, tenho tido muitas quedas depressivas, mas tenho-me re-erguido graças a misericórdia de Deus que permitiu que meus pais, professores, instrutores religiosos me ensinassem a orar.

Uma das pessoas que me demonstraram muito amor nesta encarnação foi minha mãe. Hoje, ela está no plano espiritual. Lembro-me de sua dedicação e de tantas provas de amor desinteressado que me deu. Oro a ela pedindo seu conselho e seu apoio em momentos depressivos. A depressão desaparece, o sol da esperança volta a brilhar e continuo minhas pequenas lutas com ânimo fortalecido. Creio que ao lembrar-me do amor da minha mãe, consigo absorvê-lo, desentupindo canais, e me alimentando de todo o imenso amor que me cerca, como a todo espírito imortal criado por Deus.

Além da prece, é muito útil ao depressivo a prática da beneficência, pois ela estimula correntes de amor inconscientes a surgirem dos beneficiados e de quem a eles se associa. O depressivo benemérito neste caso terá mais facilidade em absorver essas correntes, tanto por mérito, como pela proximidade dos fatos.

Se, de outro lado, a depressão o faz sofrer, não agindo em você mesmo, mas subjugando aqueles a quem você quer bem, aqueles que lhe estão próximos, faço-lhe alguns pedidos:

Afaste toda irritação, A irritação faz com que o depressivo sinta-se ainda mais desamado, agravando seus males.

Envolva o depressivo com todo o seu amor. Um amor pleno de energia e esperança, um amor alegre, não um amor cheio de penas ou tristeza.

Em hipótese alguma, deixe-se contagiar pelo pessimismo do depressivo.

O depressivo tende, encontrando "um ombro amigo", a se extravasar em queixas e lamentações. Sem grosseria, mas com firmeza, não permita que ele entre por esse caminho, ao contrário distraia-o e mude o curso de seus pensamentos.

Não julgue o depressivo. Ou seja, nem o coloque na posição de vítima, nem de réu, nem de advogado de acusação, nem na de advogado da defesa, muito menos na posição de juiz. O depressivo se perde com facilidade nesses meandros da justiça. Insista no dever que todos temos de amar a todos: inferiores e superiores, amigos e inimigos.

Incentive e apoie o depressivo para que ele saia de sua tristeza e expresse de forma concreta, real, o amor ao próximo.

Moral da História

  • Depressão se cura com amor.

  • O objetivo é o céu que está acima. O caminho é palmilhar a terra que está em baixo.

Obsessão

A obsessão, embora ainda não catalogada nas academias de medicina como doença mental, é a doença mental mais comum.

Um médico espírita, já falecido, Edison Queiroz, informava certa feita, que em pesquisa realizada na Bahia, mais de 50% dos enfermos, internados em hospitais de doenças mentais, eram na verdade obsidiados.

O que obsessão?

É uma enfermidade da nossa capacidade de relacionamento.

Por alguma disfunção, que tem no fundo problemas morais, se estabelece um relacionamento enfermo involuntário, com espíritos encarnados ou desencarnados, onde um reflete os aspectos negativos do outro.

Usando uma analogia de cunho biológico, seria como um parasitismo da alma. A atrofia de certas funções leva o parasita a explorar seu hospedeiro, que abriga o parasita por ter seus mecanismos de defesa deficientes.

Quais os principais efeitos da obsessão?

Queda nas capacidades intelectuais: inteligência, memória, imaginação.

Irritabilidade: tudo nos irrita. Na verdade o que nos irrita é a presença do obsessor, mas como não a identificamos, atribuímos nossa irritabilidade a tudo e a todos.

Antipatia: essa ligação mental carreia para nós a antipatia que o espírito obsessor gera em torno de si pelos seus maus fluidos.

Transtornos: se o obsessor sente ódio por nós, mil pequenos acidentes e incidentes passam a acontecer.

Negativismo: passamos a ver os outros pelos olhos do obsessor e como essa avaliação é muito negativa, passamos a avaliar pessoas e situações negativamente.

Vícios: é muito comum que o obsessor seja envolvido com vícios tais como  álcool, desregramentos sexuais, drogas, jogo, etc, e nos impulsione a esses maus hábitos.

Comportamentos estranhos: ao assimilar os pensamentos do obsessor, passamos a agir em contraste com nossa personalidade, já que há uma personalidade estranha enxertada em nós.

Perturbação nos mecanismos do sono e dos sonhos.

Quais os graus da obsessão?

A obsessão pode ir desde a simples "tentação", nas sua formas mais leves, em que sentimos presença de estranhos pensamentos, assediando-nos contra nossa vontade. Porém lutamos mentalmente e conseguimos, se não afastá-los, ao menos não seguir suas determinações más e absurdas.

No grau seguinte, a enfermidade comparece como fascinação. O nosso senso crítico é atingido, e passamos a aceitar como normais as sugestões desarrazoadas do obsessor. Conheci um Senhor que fascinado pelo seu obsessor, colecionava papéis que encontrava pela rua. Questionado dizia ser aquilo absolutamente natural; tive um amigo que embora bem casado, colecionava mocinhas movido por obsessor transviado no sexo. Questionado, embora sua formação e prática cristã, dizia que este comportamento era natural, decorrente da necessidade fisiológica que todo homem tem de relacionar-se com mocinhas?!

Finalmente no seu estágio mais adiantado a obsessão ganha o nome de subjugação, onde o espírito inferior fica com um controle quase completo da mente e do corpo do obsidiado. Nessa situação o senso crítico diminui cada vez mais, até que passamos a praticar os maiores disparates, fazendo coisas absolutamente irracionais, sendo considerados como loucos.

Temos sempre consciência do processo obsessivo?

Como não é uma enfermidade evidente, muitas vezes estamos obsidiados sem o saber.

Apenas os desencarnados nos obsidiam?

Podemos ser obsidiados por espíritos desencarnados e também por encarnados.

O desencarnado, quando inadaptado a vida espiritual, procura um simulacro de vida material, se acha em nós uma brecha moral, liga-se a nós, procurando viver nossos problemas e emoções. Num comportamento paralelo, o nosso familiar encarnado na verdade está nos obsidiando quando tenta fugir de sua própria vida procurando pensar nossos pensamentos, sentir os nossos sentimentos, viver nossa vida, tendo como brecha nossa insegurança ou comodismo.

Obsessão tem cura?

O maior consolo que podemos dar aos processos obsessivos é a afirmação: "a obsessão tem cura".

Por vezes mostra-se como uma enfermidade renitente, que exigirá anos de perseverante trabalho, mas, com humildade e boa vontade, será vencida certamente.

Repetindo: lembra-te de que não serão gritos, nem ritos, que afastarão os espíritos infelizes, também necessitados de auxílio. O que os afastará será a sinceridade de um coração que busca a Jesus.

Quais as principais etapas na cura da obsessão?

A terapia da obsessão segue as seguintes linhas principais:

  • Eliminar a falta moral que estabelece a ligação com as sombras.

  • Mudar padrões mentais pelo estudo que eleve.

  • Consagrar-se em paz ao serviço incessante.

  • A prece sincera: ligar-se mentalmente a Deus, a Jesus, aos benfeitores espirituais.

  • Tratar-se em grupos espíritas que cultivem a mediunidade com Jesus.

O que fazer com os obsessores?

Também são nossos irmãos? Irmãos inimigos, irmãos transviados no mal, mas ainda e sobretudo irmãos. Ouçamos a orientação de Emmanuel, recebida através de F.C. Xavier:

Obsessor, em sinonímia correta, quer dizer "aquele que importuna".
E "aquele que importuna" é, quase sempre, alguém que nos participou da convivência profunda, no caminho do erro, a voltar-se contra nós, quando estejamos procurando a retificação necessária.
No procedimento de semelhante criatura, a antipatia com que nos segue é semelhante ao vinho do aplauso convertido no vinagre da crítica.
Daí, a necessidade de paciência constante para que se lhe regenerem as atitudes.
Considerando, desse modo, que o presente continua o pretérito, encontramos obsessores reencarnados, na experiência mais íntima.
Muitas vezes, estão rotulados com belos nomes.
Vestem roupa carnal e chamam-se pai ou mãe, esposo ou esposa, filhos ou companheiros familiares na lareira doméstica.
Em algumas ocasiões, surgem para os outros na apresentação de santos, sendo para nós benemerentes verdugos.
Sorriem e ajudam na presença de estranhos e, a sós conosco, dilaceram e pisam, atendendo, sem perceberem, ao nosso burilamento.
E, na mesma pauta, surpreendemos desafetos desencarnados que nos partilham a faixa mental, induzindo-nos à criminalidade em que ainda persistem.
Espreitam-nos a estrada, à feição de cúmplices do mal, inconformados com o nosso anseio de reajuste, recompondo de mil modos diferentes, as ciladas de sombra em que venhamos a cair, para reabsorver-lhes a ilusão ou a loucura.


Recebe, pois, os irmãos em desalinho moral de ontem com espírito de paz e entendimento.
Acusá-los, seria o mesmo que alargar-lhes a ulceração com novos golpes.
Crivá-los de reprimendas, expressaria indução lamentável a que se desmereçam ainda mais.
Revidar-lhes a crueldade, significaria comprometer-nos em culpas maiores.
Condená-los, é o mesmo que amaldiçoar a nós mesmos, de vez que nos acompanham os passos, atraídos pelas nossas imperfeições.
Aceita-lhes injúria e remoque, violência e desprezo, de ânimo sereno, silenciando e servindo.
Nem brasa de censura, nem fel de reprovação.
Obsessores visíveis e invisíveis são nossas próprias obras, espinheiros plantados por nossas mãos.
Endereça-lhes, assim, a boa palavra ou o bom pensamento, sempre que preciso, mas não lhes negues paciência e trabalho, amor e sacrifício, porque só a força do exemplo nobre levanta e reedifica, ante o Sol do futuro.

Moral da História

  • Todos nós somos imperfeitos e temos uma grande carga de desafetos, consequentemente somos passíveis de obsessão.

  • Na prática do Evangelho de Jesus está o principal anti-obsessivo.

Crianças deficientes

Filhos do Deus da Luz

Desejo pedir licença a Maria, mãe de Jesus e mãe das mães, para dirigir um poema às mães e aos pais que recebem nos braços filhinhos com problemas mentais:

O Deus da luz

quer filhos altaneiros,

como as perobas adultas

das matas brasileiras.

O Deus da luz

quer filhos lúcidos,

como o sol esplêndido

das praias brasileiras.

O Deus da luz

quer filhos equilibrados,

como os astros constelados,

das noites brasileiras.

O Deus da luz

quer que sua própria obra,

se desdobre,

em mil esboços;

que o auto-artista

faça e refaça

seu próprio desenho,

sucessivamente mais

altaneiro,

adulto,

lúcido,

esplêndido,

equilibrado,

constelado,

de virtudes mil.

O Deus da Luz

quer e eu peço,

que você, querida mamãe

e você, adorado papai,

tomem a mim,

espírito encarcerado,

como se eu fora

uma sementinha,

no fundo da terra,

ou como plantinha podada,

na correção necessária,

para que no silêncio,

das manifestações exteriores,

eu mais uma vez me refaça.

Eu usarei a borracha do tempo,

mas preciso dos lápis de cores

da sua compreensão, bem luminosa,

da régua do seu equilíbrio,

do compasso da sua sensibilidade,

volteando o insolúvel por ora,

e mais que tudo do teu papel,

papel de amor,

onde firmarei meus traços.

O Deus da luz

quer e os anjos aconselham

que embora, as feridas,

os pés de barro,

sejam anjos também,

voem bem alto,

e me levem mais perto do céu.

Outros recuaram,

fugiram de mim,

mas vocês me quiseram,

no fundo de si,

nos templos sagrados

do inconsciente

onde a verdade esplende.

Mamãe, papai,

este cérebro doente

guarda uma mente

imortal,

eu também sou filho da luz,

semente de anjo,

anjinho,

e um dia

minhas asas luminosas,

cortarão os céus,

do reino de Jesus.

O Deus da luz

quer que eu tenha a vocês,

que vocês tenham a mim,

e que Jesus tenha a todos nós.

Este meu tratamento

custará caro em esforço,

lágrimas e humilhações,

mas nos nossos corações,

será depositado um tesouro,

do ouro mais puro,

do valor mais seguro,

que será a nossa redenção,

num elo lindo de afeição,

que iluminará nosso futuro.

Moral da História

  • Na terra, o maior presente que Deus nos deu, foram nossos pais.

  • Cérebro doente hoje, mente saudável amanhã

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