Religião

A Doutrina Espírita é uma religião?

A doutrina espírita não constitui uma religião no sentido comumente aceito, pois ela:

  • Não dispõe de um corpo de sacerdotes;

  • Não estabelece rituais;

  • Não se apóia numa hierarquia ou organização;

  • Não tem esquemas para o ingresso de fiéis;

  • Não pleiteia qualquer autoridade sobre os seus simpatizantes;

  • Não distingue os seus adeptos com títulos, rituais ou promessas de salvação.

Doutrina Espírita e religiosidade

De outro lado a Doutrina Espírita incentiva o sentimento religioso ao:

  • Destacar a importância da fé;

  • Esclarecer a eficácia da prece;

  • Estabelecer claramente a responsabilidade e as conseqüências morais de nossos atos;

  • Incentivar o amor a Deus e ao próximo;

  • Mostrar a importância de seguir os exemplos dos heróis da fé e da virtude.

Doutrina Espírita e religiões1

Transcrição da mensagem  "Doutrina Espírita" de Emmanuel - Psic. F. C. Xavier - Livro “Religião dos Espíritos” - Ed. FEB.


Toda crença é respeitável.
No entanto, se buscaste a Doutrina Espírita, não lhe negues fidelidade.

Toda religião é sublime.
No entanto, só a Doutrina Espírita consegue explicar-te os fenômenos mediúnicos em que toda religião se baseia.

Toda religião é santa nas intenções.
No entanto, só a Doutrina Espírita pode guiar-te na solução dos problemas do destino e da dor.

Toda religião auxilia.
No entanto, só a Doutrina Espírita é capaz de exonerar-te do pavor ilusório do inferno, que apenas subsiste na consciência culpada.

Toda religião é conforto na morte.
No entanto, só a Doutrina Espírita é suscetível de descerrar a continuidade da vida, além do sepulcro.

Toda religião apregoa o bem como preço do paraíso aos seus profitentes.
No entanto, só a Doutrina Espírita estabelece a caridade incondicional como simples dever.

Toda religião exorciza os Espíritos infelizes.
No entanto, só a Doutrina Espírita se dispõe a abraçá-los, como a doentes, neles reconhecendo as próprias criaturas humanas desencarnadas, em outras faixas de evolução.

Toda religião educa sempre.
No entanto, só a Doutrina Espírita é aquela em que se permite o livre exame, com o sentimento livre de compressões dogmáticas, para que a fé contemple a razão, face a face.

Toda religião fala de penas e recompensas.
No entanto, só a Doutrina Espírita elucida que todos colheremos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina.

Toda religião erguida em princípios nobres, mesmo as que vigem nos outros continentes, embora nos pareçam estranhas, guardam a essência cristã.
No entanto, só a Doutrina Espírita nos oferece a chave precisa para a verdadeira interpretação do Evangelho.

Porque a Doutrina Espírita é em si a liberdade e o entendimento, há quem julgue seja ela obrigada a misturar-se com todas as aventuras marginais e com todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula.

Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liberta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.

“Espírita” deve ser o teu caráter, ainda mesmo te sintas em reajuste, depois da queda.

“Espírita” deve ser a tua conduta, ainda mesmo que estejas em duras experiências.

“Espírita” deve ser o nome de teu nome, ainda mesmo respires em aflitivos combates contigo mesmo.

“Espírita” deve ser o claro adjetivo de tua instituição, ainda mesmo que, por isso, te faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.

Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo.

E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos.

Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.


Templos

A Doutrina Espírita valoriza particularmente três templos:


  O templo interior: constituído no íntimo de nós mesmos, onde no silêncio de nosso coração oferecemos a Deus nossas boas obras e nossa reforma íntima.

 O templo do lar: onde nas relações com nossos familiares, de convívio por vezes agradável, outras, penoso, oferecemos a Deus nosso amor afetuoso e responsável

O templo da sociedade: onde em contato com as mais diversas pessoas oferecemos a Deus nosso amor fraterno e universal.




Conforme conceituação de Emmanuel, destacado mentor espiritual, fé é guardar no coração a certeza iluminada da presença de Deus com todos os valores da razão, tocados pelo perfume do sentimento.

Discorrendo rapidamente sobre os pontos principais dessa definição, podemos afirmar:

  • A fé é filha do amor e da razão; ela cresce na medida que Deus cresce na nossa compreensão e no nosso amor.

  • A fé não é um rótulo exterior, emprestado de alguma denominação religiosa, nem afirmativa labial.

  • A fé é força que nasce dentro do peito, íntima, individual, conseqüência do amor a Deus, benção do amor de Deus.

  • Fé e razão devem se olhar face a face, sem temores recíprocos. A fé que se distancia do raciocínio, não é fé, é fanatismo.

  • A fé retrata a imagem de Deus em nós.

A fé deve:

  • Ser alegre porque Deus é bom;

  • Ser corajosa porque Deus é presente;

  • Ser humilde porque Deus é perfeito;

  • Ser modesta porque Deus é todo-poderoso;

  • Ser paciente porque Deus é eterno;

  • Ser compassiva porque Deus é misericordioso;

  • Ser amorosa porque Deus é amor.

Utilidade da fé

A fé gera as virtudes ao despertar os sentimentos nobres que nascem quando, através da razão e do sentimento, identificamos a presença de Deus.

Quando descobrimos Deus através da razão e do sentimento, ainda que seja num pequeno ângulo da vida, nossas almas se povoam de forças novas, nascidas do Amor de Deus, maravilhas do Amor de Deus.

Gerando as virtudes a fé elimina os vícios e galgamos mais um degrau da evolução.

Conquista da fé

A conquista da fé pode ser melhor visualizada através de uma imagem, onde um jardineiro cultiva uma planta:

Para que a planta cresça, três fatores estarão sempre presentes no zelo do jardineiro:

  • Sol na medida certa;

  • Terra boa;

  • Água conforme as necessidades.

O jardineiro somos nós, a planta é a fé, e esses três fatores deverão sempre estar presentes no nosso zelo, para que nossa fé se desenvolva:

  • Sol, que é Estudo, Esclarecimento, Luz.

  • Terra, que é Trabalho;

  • Água, que é Renovação Interior.



Prece

A expressão da fé chama-se oração.

A fé se expressa em pensamentos, emoções, palavras e atos.

Assim, as preces poderão ser feitas através de:  pensamentos, emoções, palavras e atos.

São expressões de fé no bem e para o bem, e conseqüente-mente preces:

  • A acurada concentração mental do cirurgião que busca o alívio do enfermo confiado aos seus cuidados;

  • As fortes emoções da mãe angustiada face à queda moral do filho que ela procura reerguer;

  • A palavra boa, dita pela professora primária interessada na formação de seu aluno;

  • O trabalho árduo do agricultor no amanho da terra para a produção do alimento e sustento da família.

  • A súplica que o crente sincero faz a um poder maior justo e bom, seja na mesquita, na sinagoga, no templo budista, no centro espírita ou na igreja cristã.

Forma e conteúdo

A Doutrina Espírita afirma que na prece o que importa é o que se irradia de nossa alma, na expressão de nossos sentimentos; a forma nada conta.

Devemos orar de preferência com as expressões espontâneas do nosso sentimento, ou se não pudermos, podemos valer-nos de fórmulas memorizadas pelo sentimento, que falar a Deus faz bem ao coração.

Eficácia da prece

Toda prece tem resposta; nem sempre será o que esperamos, sempre será o que necessitamos:

  • A prece fortalece a consciência indicando o caminho do bem.

  • A prece alimenta o sentimento fornecendo energias novas

  • A prece ilumina o entendimento descortinando soluções;

  • A prece controla o tempo abreviando os sofrimentos pela resignação e eternizando o bem pela ligação com Deus;

  • A prece santifica o trabalho direcionando-o na construção do Reino de Deus;

  • A prece solidifica a fraternidade universalizando-a sob o mesmo Deus;

A prece purifica a visão espiritual permitindo-nos ver Deus.

Comments