A Resposta

Texto do Organizador

Domingos Lacordaire, é destacado pregador cristão, encarnado na França no século 19 e um dos espíritos que colaboraram na redação do Evangelho Segundo o Espiritismo codificado por Allan Kardec. O texto a seguir é parte de uma conferência pronunciada em Tours na França transcrito a seguir por fornecer uma interessante definição da presença cristã na história.

Texto de Domingos Lacordaire

Eu me pergunto se a virtude existe sobre a terra, se o coração humano é capaz de:

Uma prudência que abrace os interesses da humanidade;

Uma justiça que dê a cada um o que lhe é devido na ordem dos bens sensíveis e dos bens da alma;

Uma temperança que sujeite o corpo à lei do espírito;

Uma força que chegue a dar, a sua vida pelo direito e pela verdade.

Eu me pergunto se há homens que procurem Deus como o fim de sua existência passageira, como o princípio certo de sua felicidade e perfeição

Eu me pergunto acima de tudo se há homens que amem Deus, não digo como nós amamos os homens, mas como nós amamos as mais vis criaturas: um cavalo, um cachorro, o ar, a água, a luz e o calor.

Eu me pergunto estas coisas, a mim primeiro, a vocês a seguir, e eu espero a minha resposta e a sua com um terror que deve decidir a minha vida.

Eu escuto bocas audaciosas dizerem-me que a virtude é apenas uma palavra.

Eu escuto de um lado a outro da história o protesto dos céticos, o sarcasmo dos egoístas, o riso dos debochados, a alegria das fortunas adquiridas através do sangue e do suor dos outros, o grito queixoso dos corações que não esperam mais, e sozinho no alto destes raciocínios que me levaram a ideia do verdadeiro, do bem, do justo, do santo, olhar posto sobre o que eu chamei minha alma, eu espero uma palavra que me precipite ou me fortaleça para sempre.

Quem a dirá para mim?

Eu a direi a vocês.

Vocês procuram o homem justo, o homem forte, o homem santo, o homem que ama a Deus...

Eu o conheço e vou dizer-lhes o seu nome.

Há dezoito séculos Nero reinava sobre o mundo.

Herdeiro dos crimes que o precederam sobre o trono, ele teve a audácia de ultrapassá-los e de se fazer um nome que nenhum dos seus antecessores poderia igualar.

Ele o conseguiu.

Um dia conduziram-lhe em seu palácio um homem que estava acorrentado e que ele desejava ver.

Este homem era estrangeiro.

Roma não o havia alimentado e a Grécia ignorava seu berço.

Entretanto, interrogado pelo imperador ele respondeu como um romano de outra raça que aquela dos Fábios e dos Scipiões.

Respondeu com uma liberdade mais grave, uma simplicidade mais elevada, eu não sei quê de aberto e de profundo, que surpreendeu César.

Escutando-o os cortesões falavam-se em voz baixa, e os fragmentos da tribuna ressoaram no silêncio do fórum.

Desde que as correntes deste homem foram quebradas, ele percorreu o mundo.

Atenas o recebeu e o convocou para conservar os restos do Pórtico e da Academia.

O Egito o viu passar aos pés de seus templos, onde ele recusou consultar a sua sabedoria.

O Oriente o conheceu, e todos os mares o levaram.

Ele veio sentar-se às praias da Armória, após ter vagado nas florestas da. Gália, e as costas da Grã-Bretanha acolheram-no como um hóspede que esperavam.

Quando os navios do Ocidente, nas barreiras do Atlântico, abriram caminhos para os mundos novos, ele aí se lançou tão rápido quanto eles, como se nenhuma terra, nenhum rio, nenhuma montanha, nenhum deserto devesse escapar ao ardor de seu percurso e ao império de sua palavra.

Ele falava, e a mesma liberdade que ele manifestou frente ao Capitólio subjugado, ele manifestou frente ao universo.

Viajante por minha vez pelo mistério da vida, eu encontrei este homem.

Ele trazia em seu rosto as cicatrizes do martírio; mas nem o sangue vertido, nem o curso dos séculos haviam lhe tirado a juventude do corpo e a virgindade da alma.

Eu o vi, eu o amei.

Ele falou-me da virtude, e eu acreditei na sua palavra.

Seu sopro vertia em mim a luz, a paz, a afeição, a honra, eu não sei quais premissas de imortalidade, que me desapegavam de mim mesmo.

E enfim, eu soube, amando este homem, que podíamos amar a Deus, e que Ele era amado de fato.

Eu estendi minha mão a meu benfeitor e perguntei-lhe seu nome.

Ele respondeu-me como havia feito a César:

-Eu sou cristão.

Prece de Encerramento

Nós te agradecemos, amado e doce Jesus, o carinho com que tens alimentado nossas almas.

Especialmente, beijamos as suas mãos pelos cristãos valorosos que envias a Terra para que nossas almas sejam fortalecidas na fé e nas boas obras.

Em particular, rendemos graças por teu servidor Cipriano, que iluminou a África com sua inteligência e devotamento.

Que possamos seguir as pegadas desses seus servidores maiores, honrando seu sangue, vivendo suas virtudes, e ensinando sua fé.

Que assim seja.

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