As minas da Numídia

Início de novas perseguições

Ao assumir o poder o imperador romano, Valeriano, abriu uma nova perseguição aos cristãos.

O procônsul da província da África, Paternus, convocou Cipriano, que atendeu a convocação.

No interrogatório Paternus tratou Cipriano até com brandura, dadas as circunstâncias, e aplicou a pena mínima.

O que o teria levado a isso? Simpatia pela causa? Simpatia por Cipriano? Senso de justiça?Temor de revoltas? Temor de sortilégios de que eram acusados os cristãos. Desconhecemos a razão.

Um documento histórico trouxe até nossos dias o interrogatório que foi mais ou menos nesses termos:

Paternus:

- Os santíssimos imperadores Valeriano e Galiano dignaram-se a escrever-me uma carta, onde eles prescrevem que aqueles que não reconhecerem a religião romana deverão fazer uma profissão de fé; eu iniciei, consequentemente, um inquérito sobre sua pessoa, o que você responde:

Cipriano:

- Eu sou cristão e “protetor” de um “grupo cristão”; eu desconheço outro deuses além do Deus único e verdadeiro que fez o céu, a terra e o mar e tudo o que eles encerram. É a esse Deus que nós cristãos, servimos. É a Ele que nós oramos, dia e noite, por nós, por todos os homens e pela salvação dos mesmos imperadores.

Paternus:

- Você persevera nessa disposição?

Cipriano:

- As boas disposições entre aqueles que conhecem Deus não devem ser mudadas.

Paternus:

- Sendo assim, você poderá, segundo a ordem de Valeriano e

Galiano ser exilado para Curubis?

Cipriano:

- Eu irei.

Paternus:

- Não é somente sobre o assunto dos “protetores”, mas também sobre os “cristão experimentados” que os imperadores se dignaram a escrever-me. Eu desejo então saber de você, quais são os “cristão experimentados” dessa cidade.

Cipriano:

- As sua leis tem, sabiamente e utilmente, estabelecido que não se devia existir delatores; os “cristãos experimentados” não podem então ser descobertos por uma delação minha; eles encontram-se no meio da sua população.

- Paternus

Por mim é aqui e agora que eu interrogo.

- Cipriano

A disciplina proíbe que se apresentem espontaneamente, e isso o desagrada. É você mesmo que os procurando os achará.

Paternus:

- Eu os encontrarei. Eles não se permitem fazer reuniões e ir aos cemitérios. Se algum deles não observar essa proibição tão salutar, ele encontrará a pena capital.

Cipriano:

- Faça o que lhe ordenaram.

Cipriano partiu então para Curubis, um vilarejo, de ares muito agradáveis, situado a algumas léguas de Cartago;

Origem da correspondência

Estando no seu exílio, sem poder deixar o vilarejo de Curubis, Cipriano empregou seu tempo em corresponder-se com os cristãos condenados a trabalhos forçados nas minas da Numídia, além de escrever algumas outras obras.

Essas minas ficavam no norte da África, a algumas centenas de quilômetros de Cartago.

A correspondência constou de quatro cartas: inicialmente Cipriano enviou uma carta circular, com algum dinheiro, aos prisioneiros, serviram de mensageiros Ereniano, Lucano, Máximo e Amâncio.

Os cristãos conseguiram fazer chegar as mãos de Cipriano, três cartas em resposta enviadas por três grupos de prisioneiros (Cartas 77 a 79).

Que percalços não terão enfrentado Ereniano, Lucano, Máximo e Amâncio para fazer chegar aos cristãos condenados a carta de Cipriano?

Que dificuldades não terão enfrentado os cristãos condenados para escrever e fazer chegar as mãos de Cipriano sua resposta de gratidão?

Deus provê!



Carta de Cipriano1

Comentário do Organizador

Nesta carta endereçada aos prisioneiros condenados a trabalhos forçados Cipriano, por diversas formas, afirma o pensamento que o importante é estar com Jesus no nosso coração.

Tendo jesus no coração os maiores sofrimentos serão suportados com serenidade e até com alegria.

Texto de Cipriano

De Cipriano

A Nemesiano, Felício, Lúcio, um outro Felício, Liteus, Poliano, Vítor, Jáder, Dativo, seus colegas de episcopado.

Do mesmo modo aos seus colegas e "cristãos experimentados", aos servidores e aos outros irmãos que estão nas minas, mártires de Deus, Pai Onipotente, e de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Divino Salvador.

Eterna Saudação:

A glória que vocês adquiriram, bem aventurados e caríssimos irmãos, tornaria um dever ir pessoalmente vê-los e abraçá-los, se a confissão do nome do Cristo não me houvesse feito retirar-me para o exílio, de onde não posso sair.

Mas estou com vocês da maneira que está ao meu alcance, e se não me é possível ir para perto de vocês corporalmente, ao menos em espírito e em coração estou com vocês.

Esta carta mostrará que tenho a alma plena de alegria por causa da sua louvável virtude, e que, se meu corpo não sofre com vocês, eu partilho da sua sorte e me faço um com vocês pela caridade que nos une.

Poderia eu, pois, calar-me, reprimir minha palavra quando conheço a seu respeito tantas e tão gloriosas façanhas das quais Deus lhes dará honra?

Entre vocês, alguns já consumaram seu martírio; eles são os primeiros a receber do Senhor a corôa dada por seus méritos; outros ainda estão entre os muros das prisões, ou nas minas e a ferros, fornecendo aos irmãos, para os preparar e encorajar, os maiores exemplos.

À medida que seu suplício é mais uma vez adiado, vocês aumentam seus títulos de remuneração com a espera do martírio, visto que receberão na distribuição das recompensas celestes, tantas partes, quantos dias suas provas duraram.

Eu não estou surpreso, considerando que as coisas se passem assim, irmãos corajosos e bem-aventurados, que o Senhor tenha nos seus desígnios honrá-los e elevá-los aos feitos da glória, pois sei da sua piedade e fé.

Vocês têm, todos os dias, em seu "grupo cristão", manifestado uma fé vigorosa e firme, fiéis ao observar os preceitos do Senhor:


A inocência na simplicidade,

A paz na caridade,

A modéstia na humildade,

O zelo no serviço.


Vocês têm-se mostrado:

Vigilantes

Auxiliando aqueles que estão numa situação crítica, Misericordiosos,

Socorrendo os pobres,

Firmes,

Defendendo a verdade,

Rigorosos

Observando a austeridade da disciplina.


Além do mais, porque nada falha nos seus exemplos, nesta hora mesma em que suas bocas confessam o Cristo e na qual seus corpos sofrem por Ele, vocês incitam as almas de nossos irmãos aos divinos martírios e lhes mostram o caminho da virtude: assim, enquanto o rebanho segue seus pastores e imita o que vê fazerem os seus prepostos, ele prepara-se a fim de, com méritos semelhantes, receber a mesma corôa.

Antes de estarem nas minas, vocês foram cruelmente bastonados2, foi aí que vocês inauguraram sua confissão: isto não é coisa que se deplore.


O bastão não faz medo ao seguidor do Cristo,

Que no madeiro deposita a sua esperança.


O servidor do Cristo reconhece o sagrado instrumento da sua salvação; resgatado pelo madeiro para a vida eterna, pelo madeiro que avança no caminho da coroa.

É admirável que sendo vocês vasos de ouro e prata tenham sido justamente colocados nas minas, lugar do ouro e da prata.

Puseram grilhões nos seus pés, amarras infames nos seus membros honrados, morada divina, como se com os corpos se acorrentasse o espírito, como se o contato do ferro pudesse manchar o brilho do ouro.

Para homens consagrados a Deus, e que afirmam sua fé com religiosa virtude, esses grilhões, essas cadeias, não são amarras, mas ornamentos; eles não desonram os pés que prendem, mas os iluminam e coroam.


Os bem aventurados grilhões não serão quebrados pelo ferreiro, mas pelo Senhor!

Os bem aventurados grilhões que deixam ir retamente, pelo bom caminho, na direção do paraíso!

As queridas amarras que prendem um momento neste mundo, para devolvê-los eternamente livres no outro, perto de Deus!

Oh amarras,

Obstáculos abençoados,

Os pés que vocês entregam

Por ora à marcha incerta,

Vão brevemente na direção do Cristo,

Por um caminho de glória!


Que uma crueldade invejosa ou maligna os encerre quanto possa nos seus grilhões e amarras: breve, libertos desse sofrimento da Terra, vocês chegarão ao Reino dos céus.

Os corpos nas minas não têm,

De modo algum,

A doçura de um leito para repousar...

Mas o próprio Cristo é renúncia e repouso.


Os membros fatigados

Estendem -se sobre o chão duro...

Mas isto não é uma punição

Quando nos estendemos com o Cristo.


Faltam os banhos,

Falta a limpeza do corpo,

A carne guarda a sua sujeira exterior...

Mas o espírito é purificado interiormente.


O pão é distribuído em pequena quantidade...

Mas não só de pão vive o homem,

Vive da palavra de Deus.


Faltam agasalhos, tem frio...

Mas aquele que se reveste do Cristo

Está abundantemente vestido e adornado.


Sobre as cabeças raspadas pelo meio,

Os cabelos arrepiam-se em desordem...

Mas visto que o Cristo

É a cabeça do homem,

Tudo fica bem a uma cabeça

Que a confissão do Cristo tornou ilustre.


Toda esta fealdade que parece detestável e horrível aos gentios, de qual esplendor não será ela sucedida e recompensada!

Em troca desta pena temporal e breve, que clamor eterno de glória, quando o Senhor, segundo a voz do apóstolo bem aventurado, reformar os nossos corpos humilhados, conforme o molde de seu corpo luminoso.

Não creiam, de modo algum, nunca mais, caríssimos irmãos, sofrer na sua fé ou na sua piedade, porque, sacerdotes de Deus, não possam celebrar e oferecer o sacrifício divino onde vocês estão.

Vocês celebram e oferecem a Deus um sacrifício precioso e glorioso e que servirá para obter as recompensas celestes, porque a escritura divina diz:

Uma alma aflita é um sacrifício oferecido a Deus;

Um coração despedaçado e humilhado não é, de modo algum, desprezado por Deus.

É este sacrifício que vocês oferecem a Deus, é este sacrifício que vocês celebram dia e noite, sem interrupção, tornando-se vítimas por Deus e oferecendo a si próprios como vítimas santas e sem mácula, segundo a exortação do apóstolo:

Eu vos exorto, meus irmãos, em nome da misericórdia de Deus a fazerem de vossos corpos oferendas vivas, santas, agradáveis a Deus; a não vos adequardes ao século, mas a vos transformardes por um espírito novo, a fim de que experimentem segundo a vontade de Deus, aquilo que é bom, que é perfeito, aquilo que Lhe agrada.

Eis o que é sobretudo capaz de agradar a Deus.

Eis o que confere a nossas obras uma eficácia maior na obtenção da indulgência divina.

Eis o que permite à nossa fé e à nossa devoção oferecer a Deus o digno tributo do nosso reconhecimento por benefícios tão grandes e salutares.

É isto que diz o Espírito Santo ao Senhor nos Salmos:

"Que entregarei, por todos os bens com que Ele me tem cumulado?

Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor!

A morte dos justos é preciosa diante de Deus3.

Quem não tomaria alegremente, de bom coração, o 'cálice da salvação'?

Quem não aproveitaria com alegria e prazer uma ocasião de 'entregar' a seu Mestre um pouco daquilo que Ele tem feito por nós?

Quem não receberia com coragem e bravura a morte preciosa diante de Deus, na qual se compraza aos olhos Daquele que no momento em que se luta por Seu nome, olha do alto, aplaude os que aceitam a luta, ajuda-os no combate, corôa-os após a vitória,recuperando-os com uma bondade, com uma ternura de Pai, por aquilo que lhes deu para fazer, e honrando aquilo que Ele mesmo realizou em nós?

Que seja pois por Ele que devamos vencer e alcançar, sobre o adversário vencido, a palma dos maiores combates!

o Senhor proclama em seu Evangelho:

Quando eles vos entregarem, não estejais em cuidado pela maneira pela qual respondereis, ou as coisas que direis O que tereis ,de responder vos será inspirado na hora, pois não sois vós que falais, mas o Espírito do vosso Pai que fala em vós.

E ainda:

Ponde em vosso espírito, não mais pensar de antemão naquilo que direis para vos defender. Eu vos darei uma linguagem e uma sabedoria às quais vossos adversários não saberão resistir.

Palavras que devem inspirar grande confiança aos crentes, e que mostram ao mesmo tempo a extrema gravidade da falta que cometem aqueles que são infiéis, não acreditando Naquele que promete seu socorro aos que o confessam.

Estes sentimentos, oh valorosos e fidelíssimos soldados do Cristo, vocês têm feito penetrar nas almas de nossos irmãos, colocando em atos, aquilo que vocês ensinaram anteriormente em palavras.

Vocês serão grandes no Reino dos céus, porque o Senhor fez esta promessa:

Aquele que tem agido e ensinado conforme o Evangelho será o maior no Reino dos céus

Enfim, uma porção considerável de fiéis, seguindo o seu exemplo, tem confessado como vocês, e como vocês tem sido coroada, unida a vocês pelo elo da mais terna caridade, unida inseparavelmente a seus prepostos, apesar da prisão e das minas.

Deste contingente são as virgens: elas têm rendido 100 por um após 60 por um, e conquistaram por dois títulos a corôa celeste.

As crianças4 mesmo, têm mostrado uma virtude acima de sua idade, e não têm esperado completar o número de anos para fazer uma confissão gloriosa; assim sendo a Sua bem aventurada tropa de mártires é adornada de todos os sexos e idades.

Conscientes da sua vitória, neste momento, caríssimos irmãos, todos adquirimos com vocês:

O seu vigor;

A elevação de suas almas;

A sua alegria;

O seu triunfante regozijo

De não ter mais que esperar

A recompensa prometida por Deus;

A sua tranquilidade

Para o dia do julgamento,

Ficando nas minas num corpo acorrentado

Mas com uma alma soberana;


O seu conhecimento

De que o Cristo está presente e feliz

Com a coragem de seus servidores,

Que Ele vê marcharem nos seus passos

E por seu caminho ao Reino Eterno.


Vocês esperam cada dia alegremente pelo momento bendito da partida.

Prestes a deixar este mundo, apressam-se, em pensamento, na direção da morada celeste, das divinas recompensas5.

Após as trevas desta vida, vocês irão contemplar a mais resplandecente luz e receber uma claridade maior que todos os sofrimentos e lutas, segundo a palavra do apóstolo:

Os sofrimentos desta vida não estão em proporção com a claridade que virá e que será manifestada em nós.

Assim, visto que suas preces neste momento têm mais eficácia, e que se obtém mais facilmente o que se pede no meio das perseguições, peçam com insistência à Divina Bondade, dignar-se permitir completarmos a confissão de Seu Nome, e sairmos incólumes e gloriosos das trevas e armadilhas deste mundo, a fim de que unidos a vocês pelos elos da caridade e da paz, de pé com vocês, face às injúrias dos heréticos e às pressões dos pagãos, nós nos regozijemos ainda com vocês no Reino Celeste.

Eu desejo, irmãos bem aventurados e muito valorosos, que passeis sempre bem em Nosso Senhor e que todos os dias, para sempre, lembrem-se de nós.

Valei!

Resposta do primeiro grupo de mártires6

Comentário do Organizador

Nos maiores sofrimentos, conseguem escrever a Cipriano, e embora tantas dores, eram felizes pois amavam-se, oravam uns pelos outros e possuíam a certeza de após os sofrimentos poderem encontrar-se uns com os outros e com Jesus.

Texto dos Mártires

A Cipriano

De seus irmãos: Nemesiano, Felício e Vítor.

Saudações eternas no Senhor:



Sua carta, caríssimo Cipriano, nós temos comentado todos os dias, e adaptado às circunstâncias sua linguagem de nobres sentimentos.

Lendo-a, assiduamente, aqueles que estão em erro corrigem-se, os homens de verdadeira fé sentem-se seguros.

Desvendando, sem cessar, nos seus escritos, os segredos sagrados, você aumenta a fé e leva os homens do século a crerem.

Colocando em tão grande número de escritos, que você tornou públicos, o bem que vê em nós, você desenhou o seu próprio retrato.

Não há outro como você:

Na doutrina do ensinamento;

Na eloquência da linguagem;

Na sabedoria do conselho;

Na retidão da sabedoria;

Na generosidade da caridade;

Na austeridade da vida;

Na humildade dos relatos;

Na santidade da conduta.


Você sabe, oh caríssimo, é nosso ardente desejo vê-lo alcançar a corôa da grande confissão, você, que nos instrui e nos ama.

Antes de nós, de fato, como um verdadeiro e bom mestre, você disse diante do governador o que deveríamos dizer.

Você tem soado a trombeta para animar os soldados de Deus no combate.

Você tem atravessado o mal com a espada espiritual, combatendo na primeira fila, armado de armas divinas.

Sua palavra tem disposto de cá e de lá, os pelotões de irmãos, de maneira a estender por toda a parte as emboscadas ao adversário, à reduzir a impotência o inimigo de todos e calcá-lo aos pés.

Creia caríssimo, sua alma virtuosa não renderá menos de 100 por um.

Você não teve temor de afrontar os primeiros assaltos do século, nem de ir ao exílio.

Você não hesitou em deixar a cidade, nem temeu ficar em lugar deserto.

Levando muitos irmãos a confessar o Cristo, você lhes tem concedido o primeiro testemunho.

Incitando-os, por seu exemplo, a Lhe render o testemunho do sofrimento suportado por Ele, você começou, não somente a partilhar a sorte de tantos mártires que presentemente deixam este mundo, mas também contraiu, com aqueles que terão a mesma sorte, uma amizade celeste.

Eis porque os que estão condenados conosco, dirigem por você, diante de Deus, as maiores ações de graças, caríssimo Cipriano.

Esses nos quais suas palavras:

Levaram energias aos corações agitados

Curaram os membros feridos pelo madeiro

Resgataram os pés carregados de grilhões;

Adornaram de novos cabelos,

As cabeças raspadas pela metade;

Iluminaram as trevas da prisão;

Aplainaram as montanhas de metal;

Fizeram respirar um perfume de flores;

Dissiparam os odores desagradáveis.


Além do mais, com o nosso caríssimo Quirino, você nos enviou através do servidor Erênio e pelos acólitos Lucano, Máximo e Amâncio, o auxílio para distribuir e prover às necessidades.

Ajudando-nos pois, reciprocamente, rezando uns pelos outros e como você disse, pedindo a Deus, ao Cristo, aos Seus anjos favorecerem-nos em tudo.

Desejamos, senhor irmão que você passe sempre bem, e que se lembre de nós.

Saúde a todos aqueles que estão com você.

Todos os que estão conosco o amam, o saúdam e desejam vê-lo.

Resposta do segundo grupo de mártires7

A

Cipriano

De seu colega Lúcio e todos os irmãos que estão com ele.

Saudações no Senhor

Nós estávamos alegres e nos rejubilávamos em Deus porque Ele tinha dignado-se nos armar para a luta, para nos fazer alcançar a vitória, quando nos chegou, caríssimo irmão, a carta que você nos enviou pelo servidor Ereniano e os acólitos Lucano, Máximo e Amâncio; ela tem sido para nós:

um alívio ao peso das nossas correntes,

um consolo na nossa tribulação,

um socorro nas nossas necessidades.


Ao lê-la nós nos sentimos elevados e repletos de um novo vigor para suportar, se for preciso , os novos sofrimentos.

Isto porque antes de sofrer as provações, nós fomos incitados por você à luta gloriosa, quando você nos precedeu na confissão do nome do Cristo.

Tendo seguido seus passos, nós esperamos a mesma glória.

Aquele que é o primeiro na marcha, é também o primeiro em valor.

Você partindo primeiro, nos tem feito participar do que você começou a conquistar por se desejo (prova da indissolúvel afeição que nos tem sustentado sempre) de que aqueles que não tem sido senão um espírito na união da paz, vejam sua confissão, atribuída às nossas preces, igualmente coroadas.

Para você, caríssimo irmão, a corôa da confissão acrescenta-se à das boas obras, das quais Deus lhe dará abundante medida no dia da ressurreição.

Sua palavra tem completado o que falta à nossa preparação, nos tem dado uma força nova para suportar os sofrimentos, certos doravante da recompensa celeste, da corôa de martírio e do reino de Deus, conforme a profecia que, pleno do Espírito Santo, você fez em sua carta.

Tudo isso acontecerá, caríssimo, se você pensar em nós nas suas preces. Estamos certos de que você o faz, assim como nós também o fazemos.

Nós recebemos, irmão bem amado, o que você nos enviou da parte de Quirino e de sua parte, sua oferta toda pura e caridosa.

Do mesmo modo que Noé ofereceu um sacrifício a Deus e Deus achou seu odor agradável e o olhou favoravelmente, assim também ele olha favoravelmente o seu sacrifício e se alegra em dar-lhe a recompensa dessa boa ação.

Eu lhe peço por favor transmitir a Quirino a carta que escrevemos.

Desejo muito, caríssimo e amado irmão, que passe sempre bem e que se lembre de nós.

Saúde a todos aqueles que estão com você.

Valei!

Resposta do terceiro grupo de mártires8

Ao caríssimo e muito amado Cipriano

De Felício, Jáder, Poliano, ao mesmo tempo que os "cristãos experimentados" e aqueles que estão conosco na mina de Sigus.

Saudações eternas no Senhor:

Por nossa vez nós saudamos você, caríssimo irmão, por intermédio do servidor Ereniano e de nossos irmãos Lucano e Máximo.

Nós estamos fortes e com boa saúde graças às suas preces.

Eles nos entregaram a oferta pecuniária que você nos enviou com sua carta, onde você houve por bem encorajar-nos como seus filhos, com suas palavras verdadeiramente celestes.

Graças a Deus Pai Todo Poderoso, estamos rendidos e nos rendemos ao seu Cristo, que nos tem também fortalecido e confortado, através de suas palavras e seu bom coração, ao pensar em nós em preces constantes, afim de que Deus complete a confissão com a qual Ele dignou-se honrar-nos, a você e a nós.

Saúde a todos os que habitam com você.

Nós desejamos, caríssimo irmão, que você passe sempre bem no Senhor.

Eu Felício escrevi, eu Jáder assinei, eu Poliano li.

Eu saúdo meu senhor Eutiquiano.


1Integra da Carta 76

2Surrados com bastões de madeira.

3SaImo 15, 12, 13 e 15

4Os jovens e até as crianças recebiam das autoridades romanas a pena de trabalhos forçados perpétuos, por declarem-se cristãos.

5As condições dos campos de trabalhos eram tão ruins que a maioria dos prisioneiros morria em poucos meses, raros suportavam alguns anos.

6Íntegra da carta 77

7Íntegra da Carta 78

8INTEGRA DA CARTA 79

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