Fortaleza na dor

Nas rudes provações é mais necessário ainda sermos fortes; se a fraqueza é um risco nas situações favoráveis da vida, na luta é certeza de fracasso.

Os textos seguintes são um incentivo para termos coragem e determinação nas situações difíceis.

As crianças e o rei Nabucodonosor1

Comentário do Organizador

Nabucodonosor foi imperador da Babilônia por volta do ano 600 antes de Cristo; seu império estendia-se desde os limites do vale do Nilo até o atual Iraque.

Submetendo Israel, levou muitos judeus, como servos, até a cidade da Babilônia.

Certa feita construiu uma grande estátua de ouro e determinou que todos se prostrassem e adorassem a estátua; quem se recusasse seria condenado a entrar numa fornalha para ser queimado vivo; três adolescentes judeus se recusaram a adorar a estátua; sendo condenados ao suplício, foram amarados e atirados na fornalha; aconteceu entretanto um fenômeno, provavelmente de efeitos físicos, suas amarras se soltaram e não se queimaram; Nabucodonosor impressionado com o que aconteceu, mandou soltá-los e louvou o Deus dos judeus.

Texto de Cipriano

As crianças também se associaram pela divina bondade à sua confissão gloriosa.

É quase a repetição do que aconteceu no passado às ilustres crianças Ananias, Azarias e Misael.

Presos na fornalha, viram o fogo recuar diante deles, e as chamas formarem um lugar cheio de frescor.

O Senhor estava presente com eles, provando que o ardor do inferno nada pode fazer contra os "cristãos confessos" e mártires, ao contrário, aqueles que creem em Deus permanecerão incólumes em tudo.

Peço, pelo amor de sua religião, que considerem quão fiéis foram essas crianças, que tiveram os plenos méritos de Deus.

Prontos para tudo, como todos nós devemos estar, eles disseram ao rei:

- Rei Nabucodonosor, não precisamos responder sobre este assunto. O Deus que nós servimos é bastante poderoso para nos tirar da fornalha ardente, e Ele nos livrará de vossas mãos. Mas mesmo que assim não seja, nós não serviremos vossos deuses e não adoraremos a estátua que fizestes elevar.

Eles sabiam por sua fé que podiam livrar-se do suplício presente; mas eles não queriam alardear e prevalecer-se, portanto disseram:

-Mas, mesmo que assim não seja ...

Sua confissão não perdeu nenhum mérito por faltar o testemunho dos sofrimentos.

Acrescentaram que tudo era possível a Deus, mas que sua segurança não se fundava sobre a esperança de uma libertação atual, mas sobre o pensamento da libertação e da segurança da eterna glória.

Permanecendo fiéis, nós também, direcionamos dia e noite todo o coração a Deus.

Já desprezando o presente, cogitamos do futuro, dos frutos do reino eterno, dos abraços e beijos do Senhor, aos olhos de Deus.

Comentário do organizador

A lição que Cipriano tira desse episódio, lembrando as crianças cristãs de Cartago que assumindo ser cristãs, foram levadas a prisão, é: mesmo que Deus não atenda nossos pedidos, e nos submeta à provações, devemos confiar Nele, porque a justiça será feita e de futuro seremos recompensados, no mundo espiritual ou em outras vidas. Nossa fé deve se apoiar no infinito poder e justiça de Deus e não no atendimento de nossos pedidos, que muitas vezes são insensatos.

Coragem na dor2

Texto de Cipriano

Vocês não fraquejaram com medo dos tormentos, mas, provocados pelos mesmos tormentos à luta, fortes e estáveis ao máximo, portaram-se com devoção no combate.

Todo o batalhão glorioso, sobre o qual fecham-se as portas da prisão, é animado do mesmo ardor virtuoso pelo combate.

Assim devem ser no campo de Deus os soldados do Cristo, cuja incorruptível firmeza na fé não os deixa ser seduzidos pelas lisonjas ou engôdos, nem amedrontados pelas ameaças, nem vencidos pelos tormentos e espinhos.

Aquele que está entre nós é maior do que o mundo, e as penas da terra são menos poderosas para fazerem cair quem permanece sob a tutela divina.

A prova tem sido dada no combate glorioso sustentado por nossos irmãos; estão ensinando outros a vencer os tormentos pelo exemplo de virtude e de fidelidade que deram, lutando contra o inimigo até vencê -lo.

Vocês suportaram até a consumação da glória, duríssimo questionamento , mas não cederam aos tormentos, e sim os tormentos é que cederam a vocês.

O término dos sofrimentos não será encontrado nos suplícios intermináveis, mas na corôa que lhes será dada.

Os maus tratos do carrasco são tão duros, não para derrubar a fé inabalável, mas para permitir aos homens irem mais velozmente para Deus.

Comentário do Organizador

A coragem é fundamental na vida; o medo deve ser entendido como doença extremamente limitante; doença a ser vencida pela educação e exercício. André Luiz pela pena de Chico Xavier nos noticia a existência de cursos no plano espiritual para a vitória sobre o medo.

Insidiosos problemas familiares que se arrastam por vezes por décadas, doenças crônicas contraídas no período infantil e que apenas despedem-se na velhice, exige uma verdadeira devoção a luta.

Como é comovente ver num combate longo a paralisia ser vencida pelo paraplégico; a mãe dedicada conquistar a vitória sobre o descaminho pertinaz do filho, as vezes tendo o seu amor coroado após a vida física.

Ressaltamos a afirmação constante de Cipriano:

- Aquele que está entre nós é o maior do mundo; consoante a afirmação de Jesus: “eis que estou convosco até a consumação dos séculos”

Leiamos com atenção o texto, registrando o sentido de cada uma de suas palavras de encorajamento e luz.

Fortaleza espiritual3

Texto de Cipriano

A multidão daqueles que lá estavam, viu com admiração o celeste certame, divino e espiritual, o combate do Cristo.

Foram vistos os servidores do Cristo,

Vozes livres,

Mente incorrupta,

Virtude divina,

Despidos das armas do século,

Mas vestidos das armas da fé.

Os torturados levantaram-se

Mais fortes que os torturadores.

As unhas de ferir e dilacerar foram vencidas

Pelos membros feridos e dilacerados.


Uma fé inexpugnável tem sido a razão de golpes longamente repetidos, quando os membros deslocados do corpo dos servidores de Deus não são apenas membros que a tortura feriu, mas feridas que se reabrem.



O sangue que corre

deve apagar o incêndio da perseguição

estancar, glorioso, o fogo infernal.


Oh, que espetáculo do Senhor aconteceu!

Quão sublimes,

Quão gloriosos,

Quão sagrados

Aos olhos de Deus

São a aceitação e o devotamento de seus soldados.


Está escrito no Livro dos salmos, onde o Espírito Santo nos fala exortando:

"É preciosa a Deus a morte de seus justos."

Preciosa a morte

Que adquire a imortalidade

Ao preço do sangue,

Que recebe a corôa da consumação da virtude.


Comentário do Organizador

A maioria dos nossos desvios não se deve a intenções perversas, mas da fraqueza face as provações que a vida nos oferece.

A grande batalha é travada na nossa mente; o pensamento que comanda as ações; não mais as feridas produzidas pelo carrasco romano, mas muita vez pelo nosso cônjuge ou por aquele que consideramos amigo.

Velhas feridas morais que acreditávamos cicatrizadas novamente se reabrem; todavia é necessário a prosseguir apoiados na fé e defendendo nossa fortaleza interior.

No passado, nossos crimes atearam o fogo infernal, que muita vez nos queima por dentro, hoje necessitamos apagá-lo com a ajuda das lágrimas;

O amor divino observa com imenso amor a nossa futura morte carnal, ou melhor dizendo, 'o nosso próximo nascimento no mundo espiritual'.

Lírios e rosas4

Texto de Cipriano

Se antes do dia do combate a divina indulgência restabelecer a paz, mantenham a vontade integra e a consciência gloriosa; que ninguém se entristeça, achando-se inferior aos que calcaram aos pés o século e foram ao Senhor por um caminho glorioso.

O Senhor perscruta os nossos rins e o nosso coração; penetra nos recônditos misteriosos e vê o que está oculto.

Para merecer a corôa é suficiente ter Ele próprio por testemunha: é Ele que deve nos julgar.

Dessa maneira, caríssimos irmãos, um e outro caminho são sublimes e luminosos.

Um, seguro de ir ao Senhor apressando a consumação da vitória.

O outro, aceitar após uma passagem gloriosa, florescer em honra do "grupo cristão".

Bem aventurado nosso "grupo cristão", ao qual a divina consideração ilumina, ao qual o sangue glorioso de nossos mártires ilustra.

No principio era branca pela caridade dos irmãos, agora é tornada vermelha pelo sangue dos mártires.

Nem lírios, nem rosas, faltam às suas flores.

Diante do desafio, que cada um mantenha a mais ampla dignidade destes dois honrosos estados.

Que cada um receba as corôas, ou brancas por suas boas obras, ou vermelhas por seus sofrimentos.

Nos acampamentos de Deus, a paz e a luta têm suas próprias flores, com as quais os soldados do Cristo podem coroar-se de glória.


Comentários do Organizador

Há dois caminhos igualmente floridos e luminosos para subirmos a escada da evolução, ou em outras palavras a escada para o reino dos céus. O primeiro é a rude provação aceita com resignação e fé, sem queixas, revolta ou murmuração; o segundo consiste nas boas obras, beneficiando moralmente e espiritualmente os nossos irmãos.

Mesmo o sofrimento resignado e sereno beneficia a muitos; Allan Kardec cita um menino que morreu após anos de sofrimento de uma dolorosa moléstia. Chegando ao outro lado da vida ficou surpreso com o benefício que espalhara o seu exemplo de resignação e bom ânimo na enfermidade.

Todos os caminhos que Deus nos oferece, são bons, se trilhados conforme os ensinos de Jesus.

Olhar para o céu5

Texto de Cipriano

Que saibam, pois, que estamos colocados à prova por nosso Mestre, e que a fé que lhes tem feito crer Nele não pode desfalecer ao choque das tribulações presentes.

Que cada um, reconhecendo suas faltas, se despoje agora, ao menos nas obras, do "velho homem".

"Todo aquele que olhar para trás após haver posto a mão na charrua não está apto ao Reino de Deus."

"A mulher de Lot6, livre do perigo, contrariando a advertência recebida, olhou para trás e se perdeu."

Voltemos nossa atenção, não para o que está atrás, porque senão o mal nos torna a chamar.

Voltemo-nos, sim, para a frente, onde o Cristo nos chama.

Elevemos os olhos para o céu, para que a Terra não nos prenda com seus engôdos e seus encantos.

Comentários do Organizador

Santo Agostinho em mensagem do Evangelho Segundo o Espiritismo nos concita a olhar para o Céu. O doce poeta brasileiro Casimiro de Abreu também compôs lindo poema com a mesma proposta.

Debruçar-se sobre os mesmos erros é insensato; é como se alguém que dispusesse de tempo exíguo para fazer importante viagem, tendo tropeçado num buraco do caminho, perdesse horas preciosas, estudando o buraco, tentando decifrar o motivo da queda, contabilizando o tempo perdido etc. Melhor é levantar-se, seguir adiante, de atenção redobrada.

Sigamos o exemplo do apóstolo Paulo, que tendo cometido inúmeros desatinos ao encontrar-se com Jesus, diz apenas: “Senhor, o que você quer que eu faça?”

Mudanças7

Texto de Cipriano

Que ninguém lamente

O mundo que vai perecer,

Mas siga o Cristo

Que vive eternamente,

E faz viver

Os que O servem

E têm fé em seu nome.



O tempo vem meus queridos, que o Senhor predisse depois de muito tempo, quando ele anunciou:

Uma hora virá em que qualquer um que os faça morrer acreditará estar honrando a Deus. Mas eles farão assim porque eles não conheceram nem a meu Pai nem a mim. Mas eu lhes digo essas coisas, afim de que quando vier essa hora vocês lembrem-se que eu as havia predito.

...

Armemo-nos, caríssimos irmãos, com todas as nossas forças para o combate:

Mente incorrupta,

Fé íntegra,

Coragem disposta ao sacrifício


Que o exército de Deus saia a campo e marche de encontro ao combate que nos é oferecido.

Que aqueles que estão de pé

Armem-se para não perder sua integridade.


Que aqueles que estão caídos

Armem-se para recuperar o que perderam.


Que a honra arme os que estão de pé,

Que a dor arme os que estão caídos.


O bem-aventurado apóstolo nos ensina a nos prepararmos e a nos armarmos quando diz:

"A luta que temos de travar não é contra seres de carne e sangue, mas contra os príncipes e as potestades deste mundo e de suas trevas, contra os espíritos perversos que estão no espaço."

Por isso vistam-se com uma armadura inteiriça para resistir ao dia do mal; assim, quando vocês tiverem se armado:



Vestirão a couraça da justiça,

Cingirão os rins com a verdade,

Calçarão os pés com o bem.

Prontos a anunciar

O Evangelho da Paz.


Levarão o escudo da fé.

Para extinguir os dardos Inflamados do inimigo

Portando o capacete da salvação,

E o gládio do espírito

Que é a palavra de Deus.


Comentário do Organizador

O mundo se modifica, civilizações e costumes passam; assim acabaram-se o “mundo romano”, o “mundo medieval” e também a dita “civilização ocidental” vai chegando ao fim; o termo de cada um desses ciclos, ou seja “ o fim de cada um desses mundos é visto com temor.

É comum que esses términos de civilizações, com a consequente mudança dos costumes e maneiras de pensar que abrigaram traga dores e transtornos.

Nessas lutas, embora o destaque de certos vultos encarnados, o grande combate é com as forças das trevas representadas pelos nossos irmãos desencarnados que aderem ao mal.

Lembremo-nos entretanto que Jesus está no governo espiritual do planeta, nas suas mão estão os fios da história, e essa é a realidade permanente.

Preparemo-nos portanto para as lutas que as mudanças impõem, esperançosos e confiantes no Amor de Deus, e de Jesus por nós.

1Trecho da carta 6

2Trecho da Carta 10

3Trecho da Carta 10

4Trecho da carta 10

5Trecho da carta 11

6Habitando em Sodoma e sendo alertado para deixar a cidade, que seria destruída, em virtude de sua grande devassidão, Lot também recebeu a recomendação de não olhar para trás. Porém quando deixava a cidade em companhia da mulher e de duas filhas, a mulher de Lot olhou para trás; no dia seguinte ao voltar Lot descobriu que a cidade havia sido destruída e a mulher transformada em estátua de sal. Esta alegoria nos indica a viver o presente com esperança no futuro, sem nos ocuparmos em ficar revivendo o passado cheio de erros.

7Trecho da carta 58

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