Introdução

A águia e o cordeiro

Movidos pela fé, pondo toda a esperança na vida futura, marcharam como exército do Senhor.

Estranhos ao século, desprezados pelo mundo, marginalizados pelo poder, constituíam mescla incompreensível para a época.

Todas as idades: crianças, adolescentes, homens maduros, matronas, anciãos, ...

Todas as classes sociais: escravos, plebeus, patrícios, ...

Todas as condições econômicas.

A tropa do Cristo, recrutada nos caminhos e encruzilhadas da vida, testemunhou a existência de um carpinteiro numa província distante do império, afirmando ser este carpinteiro a Luz do Mundo e o Caminho para Deus.

A Águia Romana abriu guerra aos soldados de Cordeiro, ela porém não dispunha mais nem de virtude, nem de sabedoria, nem de grandeza; havia perdido as asas que a fizeram voar tão alto no direito de Numa Pompílio, na eloquência de Cícero, no gênio de Júlio César; rastejava no chão da corrupção e da decadência, movendo apenas o bico e as garras da rapina.

E a Águia investiu contra o Cordeiro, escolhendo a carnificina como tática para destruir a nova fé e a nova moral que surgiam.

Os cristãos escolheram as armas da mente livre, do escudo da fé, da prática da caridade e do amor aos inimigos.

Esta foi a batalha dos três primeiros séculos.

A guerra do homem contra o homem

Transcorrida esta batalha, outras se travaram na Terra, pois a história do homem é a história da guerra do homem contra o próprio homem.

O cristianismo vem avançando nestes vinte séculos, enfrentando os vícios do homem: a violência, a ambição, o comodismo.

O homem lutando contra si mesmo, vai sofrendo derrotas, obtendo vitórias, alastrando a guerra, mas o resultado do combate parece incerto.

A Luz da Fé mostra entretanto que a vitória pertencerá a Jesus.

Cada homem vencerá a si mesmo e reinando no seu mundo interior construirá dentro de si um reino de amor, sabedoria e justiça.

Quando todos os homens tiverem estabelecido este império, teremos uma nova sociedade, mas até que isto aconteça ...

À luta irmãos!

O alimento da tropa

A tropa do Cristo precisa ser alimentada, não com dinheiro, poder ou prestígio.

O exército cristão precisa ser alimentado com a palavra que vem da boca do Deus Vivo, enriquecida de exemplos, temperada com testemunhos.

Os samaritanos de maria

Nós, Samaritanos de Maria, somos trabalhadores menores, que há vinte séculos pomos na cruz nossa esperança.

Servimos ao cordeiro nos umbrais1 e na crosta, lutando pela aquisição das virtudes da misericórdia, da compaixão e da humildade; colocando-nos sob a proteção de Maria, Mãe de Jesus.

Seguimos os ensinamentos da Parábola, do Samaritano vendo o mundo como uma estrada onde todos passam, muitos caem, roubam e ferem a si mesmos; viajantes também, sujeitos aos mesmos tropeços, temos o dever do socorro que não pergunta, auxilia e passa.

uma voz do século III

Nós, Samaritanos de Maria, trazemos nossa singela contribuição aos cristãos do século 20, fazendo ressoar novamente a voz de um cristão africano do terceiro século.

Homem ainda, lutando contra as suas imperfeições, deu um grande testemunho.

Testemunhou que podemos viver as nossas crenças, aliando nossa vida a nossas concepções, dando vida à nossa fé e sentido à nossa vida.

Mostrou que mesmo na fraqueza, na tribulação, mesmo tendo uma visão nebulosa da mensagem de Jesus, podemos mover-nos a exemplos expressivos de solidariedade e renúncia.

E Cipriano teve a glória de morrer pelo Cordeiro, segundo o corpo carnal e, naturalmente, perecível.

Luz e sombra

Cipriano não foi apenas luz, não foi apenas passadas gloriosas, não foi apenas virtude.

Cipriano na sua luta para se aproximar de Jesus teve que enfrentar suas sombras, seus tropeços, suas fraquezas.

Selecionamos, no entanto o que achamos: luminoso, digno de honra, estímulo ao progresso, alicerce de virtude.

Procuramos oferecer um texto construtivo.

E as sombras? São naturais em quem busca ver ...

E as fraquezas? São naturais em quem se esforça ...

E os tropeços? São naturais em quem caminha ...

Por que não destacá-los? Para que destacar os erros? Para que destacar o homem?

Evidenciemos o cristão que após conhecer Jesus deu a Ele tudo o que possuía: seus bens, seu tempo, sua inteligência, seu coração e sua própria vida.



1Umbrais : regiões purgatoriais do mundo espiritual

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