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Lei do amor

1O amor é essência divina. Desde o mais elevado até o mais humilde, todos vocês possuem, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. É um fato que vocês têm podido constatar muitas vezes: o homem mais abjeto, o mais vil, o mais criminoso, tem por um ser ou um objeto qualquer uma afeição viva e ardente, à prova de todas as vicissitudes, atingindo frequentemente alturas sublimes.

Disse por um ser ou um objeto qualquer, porque existem, entre vocês, indivíduos que dispensam tesouros de amor, que lhes transbordam do coração, aos animais, às plantas e até aos objetos materiais. Espécies de misantropos a se lamentarem da humanidade em geral, resistem a tendência natural da alma que busca em seu redor afeição e simpatia.

A afeição pode ter um carácter “multiplicador” ou “constrangedor”:

Exemplos de caráter multiplicador: uma determinada mulher tem muitos filhos, em cada um ela exercita seu amor materno que se amplia em intensidade e pureza aumentando continuamente seus horizontes; ao fim ela ama maternalmente 15 pessoas; pela capacidade de amar aumentada, no entanto, ela ama cada uma delas muito mais do que se tivesse um único filho; ainda um exemplo paralelo: um médico de uma dada especialidade dedica-se com empenho aos seus vários pacientes, é provável que ele atenda cada um de forma melhor do que se dedicasse a apenas um. Tendo vários sua experiência, seus conhecimentos, sua dedicação, seu amor, crescem.

Exemplos de caráter constrangedor: alguém dedica sua capacidade afetiva à sua conta bancária, aos seus imóveis, ou à sua popularidade: acaricia seu extrato bancário, suas escrituras, ou a foto divulgada pelo veículo de comunicação com um olhar enlevado. Essa dedicação afetiva às coisas materiais vai secando suas fontes afetivas direcionadas aos seres humanos e com o passar do tempo após as desilusões que a vida se encarregará de oferecer-lhe – o dinheiro acaba, a escritura muda de mão, a popularidade declina, seja pelo curso dos negócios humanos, seja pela decadência da idade, seja pela morte – e a pessoa sentir-se-á solitária e árida, com a sua capacidade afetiva muito reduzida.

Em resumo: dirigir nossa afeição às pessoas visando o bem amplia a capacidade afetiva, dirigi-la de forma egoísta às coisas materiais empobrece a capacidade afetiva.

Rebaixam a lei do amor à condição do instinto. Mas,façam o que quiserem,não conseguirão sufocar o germe vivaz que Deus depositou em seus corações, no ato da criação. Esse germe se desenvolve e cresce com a imortalidade e a inteligência, e embora frequentemente comprimido pelo egoísmo, é a fonte das santas e doces virtudes que constituem as afeições sinceras e douradas, e que os ajudam a transpor a rota escarpada e árida da existência humana.

Há algumas pessoas a quem repugna a prova da re-encarnação, pela ideia que os outros participarão das simpatias afetivas, das quais são ciosas. Pobres irmãos! O seu afeto os torna egoístas. Seu amor se restringe a um círculo estreito de parentes ou de amigos, e todos os demais lhes são indiferentes.

Amamos de forma particular “o próximo mais próximo”, mas se esse amor nos leva a indiferença face ao restante do gênero humano, então já não é amor, mas egoísmo. O amor autêntico tem o dom de contagiar, de proliferar. Quando desejamos muito o bem de uma determinada pessoa, esse amor extravasa e passamos a desejar o bem para todos.

Pois bem: para participar da lei do amor, como Deus a quer, é necessário que cheguem a amar, pouco a pouco, e indistintamente, a todos os seus irmãos.

O bom pastor ama todas as suas ovelhas e não quer que uma só se perca. Uma única criança, esmolando num semáforo na noite fria da grande cidade, empobrece toda a humanidade e estende um imenso véu de sombras sobre toda a Terra. Deus ao nos aproximar de qualquer pessoa tem como desígnio que desenvolvamos nosso amor por aquela pessoa, seja ela simpática ou antipática, amiga ou inimiga; amar a quem nos cerca é cumprir a vontade de Deus.

A tarefa é longa e difícil, mas será realizada. Deus o quer, e a lei do amor é o primeiro e o mais importante preceito da sua nova doutrina, porque ela é que deve um dia matar o egoísmo, sob qualquer aspecto em que se apresente, além do egoísmo pessoal, há ainda o egoísmo de família, de casta, de nacionalidade.

Jesus disse:

-Amai ao vosso próximo como a vós mesmos.

Ora,qual é o limite do próximo? Será a família, a seita, a nação? Não: é toda a humanidade!

Nos mundos superiores,é o amor recíproco que harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os habitam. E o seu planeta destinado a um progresso que se aproxima, para a sua transformação social, verá seus habitantes praticarem essa lei sublime, reflexo da própria Divindade.

Os efeitos da lei do amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrena. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão reformar-se quando presenciarem os benefícios produzidos pela prática deste princípio: “Não façam aos outros o que não querem que os outros lhes façam, mas façam, ao contrário todo o bem que puderem”.

Não acreditem na esterilidade e no endurecimento do coração humano, que cederá, mesmo de malgrado, ao verdadeiro amor. Este é um ímã que ele não poderá resistir, e o seu contato vivifica e fecunda os germes dessa virtude, que estão latentes em seus corações.

O amor pertence a própria natureza do espírito; assim como o espírito é imortal, o anseio do amor também o é, e acabará por estender seu suave poder sobre todos os recantos da nossa alma e de todas as almas.

A Terra, morada de exílio e de provas, será então purificada por esse fogo sagrado, e nela se praticarão a caridade, a humildade, a paciência, a abnegação, a resignação, o sacrifício, todas essas virtudes, filhas do amor.

Não se cansem, pois, de escutar as palavras de João Evangelista. Sabem que, quando a doença e a velhice interromperam o curso de suas pregações, ele repetia apenas estas doces palavras:

–Meus Filhinhos, amem-se uns aos outros!

Queridos irmãos,utilizem com proveito essas lições: sua prática é difícil, mas delas retira a alma imenso benefício. Creiam-me, façam o sublime esforço que lhes peço:

–Amem-se!

E assim verão, muito em breve, a Terra modificada tornar-se um novo Eliseu2, em que as almas dos justos virão gozar o merecido repouso.



1 O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XI item 9

2Eliseu = paraíso

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